O ex-ministro das Finanças João Leão afirma que as “famílias vão sentir muito a dor” do aumento das prestações, em virtude da subida das taxas de juro decretada pelo Banco Central Europeu (BCE).

No programa “Hora da Verdade”, da Rádio Renascença e do Jornal Público, o antecessor de Fernando Medina foi questionado acerca das palavras de Mário Centeno, que afirmou, no Parlamento, que o fim do processo de subida das taxas de juro por parte do BCE está próximo.

“No cenário do BCE, que é o caminho controlado, ainda é natural que durante 2023 as taxas de juro do BCE e as taxas Euribor aumentem cerca de um ponto até ao Verão. É natural que depois se mantenham algum tempo e comecem, se tudo correr bem, a poder descer a partir do próximo ano de 2024”, explica João Leão. “As famílias agora vão ser muito afetadas pelo aumento das prestações” e “vão sentir muito a dor”, afirma, mas salienta que “daqui a uns anos as famílias vão sentir que as prestações pesam menos nos seus salários”.

“Do ponto de vista de longo prazo, as famílias que estão endividadas beneficiarão com a inflação, porque a inflação ajuda os devedores”, completa.

João Leão defende, ainda, que a Caixa Geral de Depósitos “devia ir aumentando a remuneração dos depósitos, porque é nesse sentido que o mercado estaria a funcionar de forma mais regular”.

“A Caixa Geral de Depósitos tem um novo produto em que já remunera acima de 1%, em condições especiais. Penso que é uma forma de atrair novo financiamento sem remunerar muito os depósitos que lá tem. É natural que este processo seja gradual. É importante também que a Caixa tenha aqui um contributo positivo nesse processo”, defende.

No entanto, o antigo governante diz não querer “interferir” e dar recomendações. “É importante preservar também a autonomia da administração da Caixa”.

CNN Portugal / PF