"Ainda estamos numa batalha pela alma dos EUA": Joe Biden anuncia recandidatura à Casa Branca - TVI

"Ainda estamos numa batalha pela alma dos EUA": Joe Biden anuncia recandidatura à Casa Branca

  • (atualizado às 15:34)
  • 25 abr 2023, 11:01
Joe Biden discursa em Varsóvia. 21 fevereiro 2023. Foto: AP Photo/ Evan Vucci

Havia dúvidas, já não há: não é certo que haja novo duelo Biden vs. Trump mas é certo que será Bieden vs. uma/um republicana/o

O atual presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou esta terça-feira a sua recandidatura à Casa Branca. A informação foi avançada através de um vídeo divulgado nas redes sociais, escreve a agência Reuters.

Joe Biden espera conquistar um segundo mandato nas eleições de 2024. A ideia é "terminar o trabalho pelo povo norte-americano" e também defender as "liberdades fundamentais".      

Com este vídeo de três minutos, divulgado esta terça-feira, Joe Biden faz o lançamento oficial da campanha. A voz off do vídeo é a do próprio candidato e atual presidente. Nas próximas eleições, Joe Biden considera que os eleitores vão escolher "entre mais ou menos liberdade" e "entre mais ou menos direitos".

"Todas as gerações de norte-americanos enfrentam um momento em que precisam de defender a democracia, levantarem-se pela liberdade e pelo direito de votar, tal como pelos direitos civis. Esta é a nossa. Quando concorri à Presidência, há quatro anos, disse que estamos numa batalha pela alma dos Estados Unidos. E ainda estamos."

Joe Biden, que completa 86 anos no final de um eventual segundo mandato, está confiante de que aos resultados a nível legislativo e mais de 50 anos de experiência em Washington vão contar mais do que as preocupações em torno da sua idade. A data para a escolha deste anúncio é simbólica: foi num 25 de abril que lançou a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, após derrotar Donald Trump nas eleições de 2020.

Neste momento, o candidato democrata já está escolhido, resta saber se é Donald Trump a enfrentar Joe Biden em 2024, repetindo o duelo de 2020.

Entretanto, o Partido Republicano já veio acusar Joe Biden de estar “desligado da realidade”, depois de este anunciar a sua recandidatura para 2024.

“Biden está tão desligado da realidade que pensa que merece mais quatro anos no cargo, quando tudo o que faz é criar crises”, afirmou a líder do partido, Ronna McDaniel, citada pela agência France-Presse (AFP).

Biden há vários meses que sinalizava que pretendia recandidatar-se. A vice-presidente neste seu primeiro mandato, Kamala Harris, vai ser também a sua ‘vice’ em 2024.

Quatro anos de uma liderança conturbada

Joe Biden, que em janeiro de 2021 se tornou o Presidente mais velho na história dos Estados Unidos, aos 78 anos e 61 dias, anunciou hoje a sua recandidatura ao cargo, depois de quatro anos de uma liderança conturbada.

Biden tinha, então, cerca de mais três meses que Ronald Reagan quando este acabou o seu segundo mandato, em 1989. Agora, aos 80 anos, o chefe de Estado que nasceu em Scranton, Pensilvânia, anunciou a intenção de se manter no cargo até 2029.

Eleito em 1972 senador do Delaware pelo Partido Democrata, Joseph Robinette Biden Jr. teve desde cedo um diálogo com comunidades afro-americanas.

O "assalto" à Casa Branca ocorreu em três ocasiões: 1988, quando fracassou devido a acusações de plágio, 2008, quando acabou com ‘vice’ de Barack Obama, e, finalmente, em 2020, acabando por vencer o Presidente incumbente, Donald Trump.

Eleito ao lado de Kamala Harris, a primeira mulher negra e sul-asiática na vice-presidência, a promessa de Biden assentava num regresso à normalidade após a pandemia e Trump. E, no início, o país apresentou elevadas taxas de vacinação, o crescimento económico elevado e taxas de desemprego baixas e um regresso de protagonismo internacional, depois de um relativo encerramento da administração Trump à política global.

O estado de graça de Biden não se prolongou durante muito tempo, acabou logo no verão de 2021 quando os norte-americanos foram surpreendidos com uma retirada caótica do Afeganistão e com o início de uma subida histórica da inflação.

Desde aí que a popularidade de Biden tem caído, levando a dúvidas também junto do Partido Democrata quanto à possibilidade da reeleição.

Ainda assim, o 46.º Presidente dos EUA alcançou o que podem ser considerados vários sucessos neste mandato, como a orquestração da resposta ocidental à invasão russa – e visita surpresa em Kiev em vésperas do aniversário do conflito – ou as reformas económicas e os pacotes de apoio para fazer frente à China.

Com o anúncio feito esta terça-feira, quatro anos depois de lançar a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Biden está agora autorizado a iniciar atividades para angariar dinheiro diretamente para a sua campanha, planeando jantar na sexta-feira na capital norte-americana com os principais doadores democratas e líderes do Comité Nacional Democrata, órgão executivo do partido.

Para constar nos boletins que serão presentes a milhões de norte-americanos no dia 05 de novembro de 2024, Biden terá de ultrapassar, nas primárias, os outros candidatos democratas. Por agora, a lista declarada conta com o advogado ambiental Robert F. Kennedy Jr., conhecido também pela sua postura antivacinas, e a autora de autoajuda Marianne Williamson.

Já do lado dos Republicanos, além do ex-Presidente Donald Trump, encontram-se na corrida a antiga embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, o governador do Arkansas Asa Hutchinson, o apresentador de rádio Larry Elder e o empreendedor Vivek Ramaswamy.

Por agora, e a quase 20 meses de acabar o seu mandato atual, surgem as dúvidas quanto ao rumo da liderança de Biden, embora os seus assessores insistam que não haverá grandes mudanças, mas as sondagens mostram que o Presidente não conquista uma grande confiança junto da população.

Uma sondagem da Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, realizada na semana passada concluiu que 26% dos americanos – e apenas cerca de metade dos democratas – querem ver Biden a concorrer novamente. No entanto, 81% dos democratas disseram que iriam, “pelo menos provavelmente” apoiar o Presidente numa eleição geral.

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