O menor acusado de matar a mãe em Vagos em outubro de 2025 foi condenado a internamento em regime fechado durante três anos, com revisão a cada seis meses, decidiu esta sexta-feira o Tribunal de Família e Menores de Aveiro, no âmbito do Processo Tutelar Educativo instaurado pelo Ministério Público (MP).
O rapaz de 14 anos foi julgado à porta fechada por um crime de homicídio qualificado, mas a leitura da decisão foi aberta ao público, sendo que o menor ouviu a decisão numa sala de audiências separada.
O tribunal, que teve em conta o depoimento do rapaz que confessou o crime, considera que o menor deve ser alvo de intervenção prolongada por não ter demonstrado arrependimento. O coletivo disse ainda que o jovem descreveu os factos com precisão, acrescentando que o jovem efetuou dois disparos, sendo que no intervalo a mãe se dirigiu a ele dizendo “está tudo bem, tem calma”.
“Jovem não tem consciência clara da sua conduta, nem da sua gravidade extrema”, afirmou ainda o tribunal, acrescentando que não se ponderou regresso a casa devido ao alarme social que uma situação destas causa e pela difícil interação com a família.
A juíza referiu ainda que o jovem não se emocionou, tendo mantido a mesma expressão facial quando descreveu a forma como deu os dois tiros na mãe e sem apontar qualquer razão para atentar contra a vida da mãe.
O internamento será idealmente no centro educativo de Santo António, podendo ser alterado caso o centro não tenha as condições educativas consideradas essenciais pelo tribunal.
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O menor foi julgado por um tribunal coletivo, composto por um juiz de carreira e dois juízes sociais (cidadãos, sem formação jurídica específica), tendo a deliberação sido tomada por maioria.
O caso remonta a 21 de outubro de 2025, quando a então vereadora da Câmara de Vagos Susana Gravato foi atingida por um disparo de arma de fogo, no interior da sua casa, na Gafanha da Vagueira, naquele concelho do distrito de Aveiro.
A vítima foi encontrada pelo marido que alertou os bombeiros. Apesar das manobras de reanimação realizadas, o óbito foi declarado no local pela equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
Menos de 24 horas após o crime, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou ter identificado o filho da vereadora como único suspeito da morte da mãe.