Morreu o poeta José Alberto Oliveira - TVI

Morreu o poeta José Alberto Oliveira

  • 15 mai, 20:36
O poeta José Alberto Oliveira

Tinha 71 anos e morreu vítima de uma septicemia

 O poeta José Alberto Oliveira morreu no domingo à noite, aos 71 anos, vítima de uma septicemia, no Hospital de São José, em Lisboa, indicou hoje a editora Assírio & Alvim, que publicava a sua obra.

José Alberto Oliveira, médico de formação, poeta e tradutor, encontrava-se já internado há algum tempo, acabando por desenvolver uma septicemia que conduziu à sua morte, segundo a mesma fonte.

O velório terá lugar na Capela Mortuária da Igreja de Fátima, em Lisboa, a partir das 11:00 de terça-feira, e o funeral sairá às 09:00 do dia seguinte para o Cemitério dos Olivais, onde o corpo será cremado, acrescentou a editora.

Nascido em 1952 em Souto da Casa, no Fundão, José Alberto Oliveira era médico cardiologista e publicou pela primeira vez no “Anuário de poesia de autores não publicados” da Assírio & Alvim, em 1984.

O seu primeiro livro de poesia, “Por alguns dias”, surgiu em 1992 e “surpreendeu pelo seu lirismo discreto e pela diversidade temática de aproximação a aspetos do quotidiano, onde além disso são notórias as influências da poesia inglesa”.

Publicou praticamente toda a sua obra poética na Assírio & Alvim, nomeadamente os livros “O que vai acontecer?”, “Peças desirmanadas e outra mobília”, “Mais tarde”, “Bestiário”, "Nada tão importante que não possa ser dito”, “Tentativa e erro”, “Como se nada fosse”, “De passagem” e “Rectificação da linha geral”.

José Alberto Oliveira também traduziu alguns dos mais importantes autores, para a Assírio & Alvim, como W.H. Auden, Russel Edson, Frank O’Hara, Edgar Allan Poe, Li Shang-yin, Charles Simic e Mark Twain, entre muitos outros, e foi um dos principais colaboradores do livro “Rosa do Mundo — 2001 poemas para o futuro”.

A editora destaca a relação de amizade que tinha com o poeta, uma “presença assídua” que “aconselhou a publicação de inúmeros livros, colaborou na revista A Phala, partilhou leituras, opiniões e críticas”.

“Foi um dos grandes responsáveis pela afirmação da editora no panorama literário português e a sua falta será profundamente sentida”, concluiu a Assírio & Alvim.

Marcelo lamenta morte de poeta

Numa mensagem de condolências publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta as suas condolências à família do poeta.

O chefe de Estado refere que José Alberto Oliveira era "médico cardiologista, leitor omnívoro, mas de inclinação anglófona, tradutor de Poe, Auden, O'Hara ou Simic" e que "manteve uma longa ligação à editora Assírio & Alvim".

Na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, "o seu primeiro livro, de 1992, estabeleceu um registo do qual pouco haveria de se afastar: quotidiano mas não trivial, tecnicamente seguro mas sem querer dar nas vistas, disfórico, irónico".

"Parafraseando um dos seus títulos, «Nada tão importante que não possa ser dito», não era um poeta do indizível, mas daquilo que podemos dizer, ainda que isso seja apenas uma aproximação imperfeita às coisas tais como elas são", acrescenta o Presidente da República.

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