"Não vamos dar paz a nenhuma entidade até que se comprometam que este é o último inverno em que o gás é utilizado para a produção de energia elétrica": o que aconteceu à porta do Conselho de Ministros - TVI

"Não vamos dar paz a nenhuma entidade até que se comprometam que este é o último inverno em que o gás é utilizado para a produção de energia elétrica": o que aconteceu à porta do Conselho de Ministros

Ativistas pelo clima dizem que acabam de “lançar a narrativa deste outono”

Novo ano letivo, novos protestos pelo clima - e o primeiro foi esta quinta-feira. Cerca de 20 estudantes do grupo da Greve Climática Estudantil bloquearam a entrada do Conselho de Ministros, que decorreu em Algés, distrito de Lisboa, esta quinta-feira de manhã.

Os jovens utilizaram tubos de ferro e cola nas próprias mãos para bloquear a entrada do portão do edifício das instalações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), onde iria decorrer a reunião interministerial, agendada para as 09:30.

Uma das estudantes do grupo de ativistas, que se identifica como Catarina Bio, explica à CNN Portugal que o objetivo desta ação de protesto foi “lançar a narrativa deste outono”.

E qual é a narrativa? “Não vamos dar paz a nenhuma entidade até que se comprometam que este é o último inverno em que o gás é utilizado para a produção de energia elétrica”, explica Catarina Bio.

A situação ficou resolvida somente após intervenção policial. Cerca de 15 jovens acabaram detidos, depois de terem oferecido “resistência pacífica” - permaneceram imóveis com o corpo imóvel até serem arrastados do local -, como explica Catarina Bio, que assegura que não houve qualquer tipo de violência por parte das autoridades envolvidas. Nenhum dos jovens ativistas nem nenhum dos agentes envolvidos na operação ficou ferido.

A jovem acrescenta que a escolha do local não foi ao acaso e acarreta um significado simbólico. No entender dos elementos Greve Climática Estudantil, o facto de os ministros se reunirem em conselho semanalmente durante a pandemia e agora não o fazerem perante a crise climática é espelho da inação governamental e das instituições perante a problemática.

Esta foi uma ação espontânea e aconteceu na véspera de marcha global marcada para as 10:00 desta sexta-feira. Estes mesmos jovens vão marchar pelo clima desde a Cidade Universitária “contra a inação das instituições” e “pela justiça climática”. O propósito é reivindicar o fim aos combustíveis fósseis até 2030 e eletricidade 100% renovável e acessível até 2025.

“Marchar vai ser apenas o início”, prometem os ativistas.

Catarina Bio ressalva que o destino da marcha pode ser alterado até amanhã. “Se os colegas detidos forem presentes a tribunal amanhã, marcharemos até onde estiverem”, garante a jovem.

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