Trump diz que negociações com o Irão podem ser retomadas "nos próximos dois dias" e aconselha jornalistas a ficarem em Islamabad - TVI

Trump diz que negociações com o Irão podem ser retomadas "nos próximos dois dias" e aconselha jornalistas a ficarem em Islamabad

  • CNN Portugal
  • Agência Lusa
  • MJC
  • 14 abr, 19:46
Presidente dos EUA, Donald Trump (Getty)

De acordo com várias fontes, é provável que as negociações EUA-Irão sejam retomadas. O presidente americano diz estar satisfeito com a atuação do mediador paquistanês

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O presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta terça-feira que espera o reinício de negociações de paz com o Irão dentro de dois dias em Islamabad, após as conversações no passado fim de semana terem terminado sem acordo.

Em declarações ao jornal New York Post, o presidente aconselhou os jornalistas a permanecerem na capital do Paquistão "porque alguma coisa pode acontecer nos próximos dois dias".

Segundo o diário nova-iorquino, numa entrevista telefónica inicial, Trump afirmou que as discussões estavam “a acontecer”, embora “um pouco lentas”, indicando que uma segunda ronda de negociações diretas poderia acontecer algures na Europa.

Cerca de meia hora depois, o líder norte-americano ligou de volta: "Vocês deviam ficar lá, a sério, porque pode acontecer alguma coisa nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir para lá", avisou, referindo-se a Islamabad, que acolheu a ronda anterior entre as delegações de Washington e Teerão.

"É mais provável, sabem porquê? Porque o marechal de campo está a fazer um excelente trabalho", acrescentou, numa alusão ao chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir, um dos mediadores das negociações para pôr fim ao conflito desencadeado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o Irão e que se alastrou a outros países da região. O presidente norte-americano descreveu Munir como “um grande tipo”, que “acabou com a guerra com a Índia e salvou 30 milhões de pessoas”.

Donald Trump não sinalizou quem representaria os Estados Unidos numa nova ronda negocial, depois de ter destacou no passado fim de semana para Islamabad o seu vice-presidente, JD Vance, com o enviado da Casa Branca Steve Witkoff e o seu genro Jared Kushner.

O Paquistão está novamente empenhado em trazer o Irão e os Estados Unidos de volta à mesa das negociações, disseram duas fontes paquistanesas de alto nível à agência France-Presse (AFP). "Estamos a trabalhar para trazer ambos os lados de volta à mesa das negociações. É claro que queremos que regressem a Islamabad, mas o local ainda não está definido", indicou uma das fontes.

Também o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou esta tarde que todos os indícios apontam para uma elevada probabilidade de retomar as negociações com o Irão. Guterres ainda disse que "negociações sérias" devem ser retomadas e que o cessar-fogo "deve ser preservado e prolongado conforme necessário", e que "os direitos e liberdades de navegação internacionais – incluindo no Estreito de Ormuz – devem ser respeitados por todas as partes".

“O Irão continuará a participar nas negociações para expor o comportamento dos EUA, mantendo-se totalmente preparado – sob a sábia orientação da liderança – para derrotar quaisquer planos americanos interesseiros”, comentou o deputado iraniano Esmaeil Kowsari, de acordo com a agência de notícias estatal iraniana IRNA. “Em última análise, tais ações apenas afundarão os EUA ainda mais num atoleiro e prejudicarão a sua posição global”, acrescentou Kowsari, membro do parlamento iraniano e da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Majlis.

JD Vance comentou na segunda-feira que "a bola está com os iranianos" e, no mesmo dia, Trump disse que Washington recebeu contactos de Teerão com o desejo de alcançar um acordo “a qualquer custo". O vice-presidente dos Estados Unidos referiu ainda que a delegação de Washington partiu de Islamabad sem acordo porque a parte iraniana, representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Aragchi, e pelo presidente do parlamento, Bagher Ghalibaf, teve de regressar a Teerão para "obter a aprovação" dos termos de um entendimento.

Os dois lados interromperam o diálogo sem acordo sobre os principais temas em cima da mesa, incluindo o levantamento do bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, o programa de enriquecimento de urânio e de produção de mísseis de longo alcance de Teerão, bem como o seu apoiou a grupos armados no Médio Oriente e as sanções à República Islâmica.

Após o diálogo inconclusivo em Islamabad, Donald Trump determinou o bloqueio naval aos portos iranianos, que entrou em vigor na segunda-feira.

Antes das negociações, Washington e Teerão chegaram a um acordo de cessar-fogo de duas semanas, que Israel aceitou, a poucas horas de expirar o prazo de um ultimato dado à República Islâmica pelo líder norte-americano para levantar

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