“Alguns dos piores ataques desde o início da guerra”. Ao 60.º dia, Israel invade Khan Younis - TVI

“Alguns dos piores ataques desde o início da guerra”. Ao 60.º dia, Israel invade Khan Younis

Hospital de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza (AP)

Tropas de Israel entraram na principal cidade do sul da Faixa de Gaza. No terreno fala-se no “dia mais intenso” de combates desde o início da operação terrestre no enclave palestiniano, a dias de se cumprirem dois meses de guerra

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Israel deu esta terça-feira início ao que diz ser a segunda fase da sua operação terrestre na Faixa de Gaza, na sequência dos ataques do Hamas a 7 de outubro. Finda a trégua de uma semana, que permitiu a troca de prisioneiros palestinianos por reféns israelitas, e depois de vários dias a ordenar aos residentes de Khan Younis que abandonassem as suas casas, as autoridades hebraicas anunciaram a chegada à cidade, apoiadas por aviões de guerra.

“Estamos no dia mais intenso desde o início da operação terrestre”, disse o responsável do comando sul do Exército israelita, o general Yaron Finkelman, em Jerusalém. Depois de terem chegado ao “coração de Jabalia”, que alberga o maior campo de refugiados palestinianos de Gaza desde 1948, Israel está “agora também no coração de Khan Younis”, a principal cidade do sul do enclave.

“Sessenta dias depois do início da guerra, as nossas forças estão a cercar a área de Khan Younis”, confirmou o chefe do Estado-Maior-Geral do Exército, Herzi Halevi. “Conquistamos muitos bastiões do Hamas no norte da Faixa de Gaza e agora estamos a operar contra os bastiões no sul.”

Citados pela Reuters, residentes relataram que tropas e dezenas de veículos de combate cruzaram a fronteira e começaram a cercar Khan Younis a partir do leste ainda na segunda-feira à noite. “Para vossa segurança, fiquem nos abrigos e nos hospitais onde estão”, avisou Israel em panfletos largados esta manhã em seis zonas da cidade, correspondentes a um quarto de Khan Younis. “Não saiam. Sair é perigoso. Foram avisados.” Horas antes, um ataque a uma escola tornada refúgio fez pelo menos 30 mortos.

Segundo o jornal israelita Haaretz, entre ontem e hoje foram registados alguns dos piores ataques a Gaza desde o início da guerra, que esta semana entra no terceiro mês consecutivo. De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Saúde de Gaza, sob controlo do Hamas desde 2007, a ofensiva de Israel já provocou mais de 15 mil mortos, 70% deles mulheres e crianças. Do lado israelita, há a registar até agora 1.400 vítimas mortais, na sua maioria assassinadas por militantes do Hamas a 7 de outubro.

Numa entrevista conjunta a partir de Gaza, o porta-voz da Unicef criticou a “perigosa falsa narrativa” de Israel sobre a criação de “zonas seguras” para os residentes do sul do enclave. “As chamadas zonas seguras não são científicas, não são racionais, não são possíveis, e penso que as autoridades sabem disto”, disse James Elder. À BBC, adiantou que as áreas para as quais Israel ordenou que os palestinianos se movessem “são faixas de terreno estéril”, onde “não há água, saneamento nem abrigo do frio”.

“Se vão forçar a retirada, não podem enviar centenas de milhares de pessoas para sítios sem água nem casas de banho. Não há mesmo casas de banho. Para cada lado que me virava, havia outras 5 mil pessoas a aparecer de um momento para o outro. Estas pessoas não têm uma única casa de banho e nem uma gota de água.”

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Governo israelita adiantou que estão “a avançar com a segunda fase” da operação terrestre, que “será militarmente mais difícil”. Questionado sobre as críticas de organizações não-governamentais e de instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS) - que hoje voltou a pedir a Israel que retire a ordem para a deslocação de material médico armazenado em Khan Younis, sob pena de os ataques o deixarem “inutilizável” - Eylon Levy garantiu que Israel está aberto a “feedback construtivo” para reduzir o número de civis mortos e feridos. Mas deixou uma ressalva: apenas se esse feedback for "consistente" com o seu objetivo de destruir o movimento islamita.

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