Foi agredida com paus no transporte para o túnel do Hamas mas depois foi tratada “de forma gentil”: o testemunho de uma refém libertada - TVI

Foi agredida com paus no transporte para o túnel do Hamas mas depois foi tratada “de forma gentil”: o testemunho de uma refém libertada

  • CNN Portugal
  • PF
  • 24 out 2023, 11:45
Yocheved Lifshitz no Hospital Ichilov, Telavive, após ser libertada pelo Hamas (Hospital Ichilov via AP)

A alimentação, diz, era a mesma dos captores: queijo e pepino

Yocheved Lifshitz, uma das reféns israelitas libertadas pelo Hamas esta segunda-feira, afirmou que passou por um “inferno” durante o rapto. Em conferência de imprensa no Hospital Ichilov, em Telavive, Lifshitz, de 85 anos, afirmou que foi transportada de mota de um kibbutz para o território palestiniano. Em hebreu, mas com a filha ao lado a traduzir para inglês, a idosa afirma que foi agredida com paus durante o transporte para o túnel do Hamas onde ficou, o que justifica as escoriações que apresenta no corpo.

À chegada aos túneis, que descreve como uma “grande rede parecida com uma teia de aranha”, Lifshitz afirma que os reféns foram obrigados a andar vários quilómetros “sobre um solo molhado” e que as pessoas que a cumprimentaram lhe garantiram que não a iriam magoar pois “acreditam no Corão”.

Citada pela BBC, Lifshitz diz que ficou em cativeiro juntamente com outros quatro reféns e referiu que o Hamas “pensou em cada detalhe”, tendo inclusive colocado mulheres que "percebiam de higiene feminina” em contacto com as mulheres raptadas. A idosa afirmou que havia um guarda para cada refém e que foi tratada “de forma gentil” pelos militantes do grupo terrorista, que “tiveram em conta as suas necessidades”

No túnel, a refém libertada diz que foi vista por um médico “a cada dois ou três dias” e que as restantes pessoas em cativeiro recebiam os medicamentos de que necessitavam.

Lifshitz salienta que as condições dentro do túnel eram “limpas” e que dormiu num colchão colocado no chão. A alimentação, diz, era a mesma dos captores: queijo e pepino.

Num recado para as lideranças israelitas, a mulher de 85 anos afirmou que o governo do país “não levou a ameaça do Hamas suficientemente a sério” e ressalva que o ataque aconteceu apesar de Israel ter investido milhares de milhões de euros na proteção da fronteira com a Faixa de Gaza. "Isto não acaba até todos voltarem a casa", disse.

O Hamas libertou Yocheved Lifshitz e Nurit Yitzhak, de 79 anos, após a mediação do Catar e do Egito. "Decidimos libertá-las por questões humanitárias e problemas de saúde. Apesar disso, o inimigo recusou-se a recebê-las na sexta-feira", afirmou Abu Ubaida, porta-voz das brigadas Al-Qassam, braço armado do Hamas.

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