O chefe dos serviços secretos militares da Ucrânia, o major-general Kyrylo Budanov, disse em entrevista à estação norte-americana ABC News que o presidente russo está doente há muito tempo e que irá morrer "em breve". Segundo Kyrylo Budanov, que cita fontes próximas de Vladimir Putin, o líder do Kremlin tem cancro e a guerra com a Ucrânia vai terminar antes de Putin morrer.

Budanov disse ainda que a morte de Putin irá significar uma "transferência de poder" na Rússia e que o atual regime russo é "motivo de chacota" para todos, acrescentando que as tropas de Moscovo estão reduzidas a defender os territórios que ainda ocupam na Ucrânia - "e não por muito tempo".

A especulação sobre a saúde de Putin não é nova, ainda que o Kremlin frequentemente ridicularize estes rumores. E o próprio diretor da norte-americana CIA já disse publicamente, quando questionado sobre se Putin estaria doente ou instável, que “há muitos rumores sobre a saúde do presidente Putin e, tanto quanto podemos dizer, ele é demasiado saudável.”

Já os serviços secretos dinamarqueses anunciaram ainda esta semana que descartam a possibilidade de Putin sofrer de uma doença terminal, mas admitem que o presidente russo sofre de dor crónica na sequência de algumas quedas e acidentes a praticar desporto, e que esse problema terá naturalmente impacto no período durante o qual Putin conseguirá manter-se no Kremlin. 

Em entrevista ao jornal dinamarquês Berlingske, o líder do departamento dedicado à Rússia dos serviços secretos de Copenhaga referiu ainda que Putin estava a receber tratamento para um cancro quando lançou a invasão à Ucrânia e que a medicação poderá ter influenciado a sua decisão, uma vez que a terapia hormonal a que por vezes se recorre causa "delírios de grandeza".

Mais ataques em território russo

Na entrevista em que revela a doença terminal de Putin, Kyrylo Budanov, chefe das secretas militares ucranianas, defende também que "a Rússia já não é uma ameaça militar para o mundo", admitindo que resta apenas uma questão por resolver com Moscovo: o seu arsenal nuclear, gerido por um "regime incontrolável" que irá levar o mundo a perceber a necessidade de uma desmilitarização da Rússia ou, pelo menos, a supervisão internacional do seu arsenal.

"Um país terrorista a balançar um bastão nuclear contra toda a gente e a vomitar ameaças não é um regime que tenha o direito ético ou político de controlar armas de destruição maciça", salientou Budanov. 

O chefe da secreta militar ucraniana admitiu ainda que haverá cada vez mais ataques em território russo, sem explicitar que Kiev estará por trás deles. Budanov disse mesmo que estes ataques irão atingir cada vez mais o interior da Rússia mas que a Ucrânia só iria assumir eventuais responsabilidades quando a guerra terminar. 

Questionado sobre os ataques na Crimeia, que foi anexada ilegalmente pela Rússia em 2014, o chefe dos serviços de informação militares sublinhou que a Crimeia é território ucraniano e, portanto, Kiev poderá ali usar "qualquer arma". 

"A Crimeia é território ucraniano, podemos usar qualquer arma no nosso território", salientou. 

Sobre os objetivos da Ucrânia neste conflito, Budanov diz que continuam a resumir-se no regresso às fronteiras de 1991, conforme a Ucrânia "é reconhecida pela lei internacional".

CNN Portugal / BC