"Não estamos em guerra, mas somos alvos diários": Alemanha acusa Rússia de ataque ao aeroporto de Leipzig - TVI

"Não estamos em guerra, mas somos alvos diários": Alemanha acusa Rússia de ataque ao aeroporto de Leipzig

  • CNN Portugal
  • MJC
  • 1 set, 18:28
O Ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt (à direita), e o Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul (à esquerda) (EPA)

Em reação a estas acusações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo declarou à agência de notícias Interfax que o país "responderá a todas as ações anti-Rússia"

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A Alemanha responsabiliza a Rússia por aquilo que considera terem sido "ataques híbridos com drones" ocorridos no mês de agosto no aeroporto de Leipzig, no leste do país. As conclusões dos serviços secretos alemães e dos seus parceiros sobre os incidentes em Leipzig, a 4 de agosto, apontam para o envolvimento da Rússia, afirmou o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, em conferência de imprensa, confirmando assim as informações que já tinham sido noticiadas pelo Bild e pelo POLITICO.

Segundo Dobrindt, as agências de segurança alemãs têm vindo a monitorizar “um elevado nível de ameaça” através de atividades híbridas na Alemanha e na região europeia em geral há algum tempo. O ministro afirma especificamente que “os meios utilizados para realizar o ato” de sabotagem em Leipzig – e enumera a configuração do drone, os vários componentes utilizados e os explosivos – “são conhecidos por nós a partir de outras operações híbridas conduzidas pela Rússia e pela sua guerra contra a Ucrânia”.

“A tentativa de ataque ao Aeroporto de Leipzig, a 4 de agosto, enquadra-se no padrão estabelecido de operações híbridas russas na Europa”, diz. “O governo alemão conclui, portanto, que a Rússia é responsável pelo ataque híbrido em Leipzig”.

Dobrindt afirma que esta conclusão foi amplamente debatida com o Conselho de Segurança Nacional e com o todo o governo, incluindo o chanceler, Friedrich Merz. A Alemanha vê o incidente de Leipzig “não isoladamente, mas como parte de um contexto mais amplo de ações híbridas”, acrescenta.

O governo acredita que a Alemanha continuará a ser alvo de ataques híbridos russos, incluindo tentativas de causar danos significativos. Por isso, o governo “reconhece a clara necessidade de uma resposta apropriada e necessária”.“Deixem-me ser claro: não estamos em guerra, mas somos alvos diários de guerra híbrida", garante Dobrindt.

Na mesma conferência de imprensa, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, reafirma  que as ações russas "se enquadram numa longa série de tentativas de desestabilização, desinformação, ameaças, sabotagem e agressão dirigidas à Europa" e "a Alemanha não é exceção". Wadephul afirma que a Rússia, lamentavelmente, não demonstra qualquer vontade de terminar a sua guerra contra a Ucrânia e procurar a reconciliação com o Ocidente.

Assim, o consulado russo em Bona será encerrado em retaliação pelo ataque, assim como a Casa Russa da Ciência e Cultura em Berlim. Também o embaixador russo foi convocado para ser informado sobre estas decisões.

Wadephul afirma que a Alemanha coordenou esta declaração com os parceiros da NATO e da UE. A Alemanha irá ainda pressionar os seus parceiros por sanções mais severas contra a Rússia, controlos de entrada para cidadãos russos e maior pressão sobre a chamada frota fantasma. Diz ainda que a Alemanha “continuará o seu apoio civil e militar à Ucrânia”. E conclui: “Não permitiremos que os ataques da Rússia nos dividam ou nos intimidem.”

"Os ataques híbridos não ficarão sem resposta": Rutte e von der Leyen garantem posição contra a Rússia

As reações a estas declarações não se fizeram esperar. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, manifestou total solidariedade com a Alemanha, após o ataque híbrido russo e garantiu que a NATO continuará a fortalecer a sua "capacidade de deter e defender todos os aliados contra qualquer ameaça". 

"As provas são claras", diz Rutte. "As tentativas da Rússia de nos intimidar, de minar a nossa unidade e a nossa vontade de apoiar a Ucrânia são fúteis e vão falhar. O nosso apoio à Ucrânia é inabalável, tal como o nosso compromisso com a defesa coletiva da NATO."

Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, diz que vai discutir o tema esta quarta-feira com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Numa publicação na rede social X, Von der Leyen afirma ainda que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE irão preparar uma resposta sobre o assunto na sua próxima reunião.

"Manteremos a UE unida apesar destes atos graves e crescentes. O governo alemão tomou medidas enérgicas. E a mensagem é clara: os ataques híbridos não ficarão sem uma resposta contundente. Estamos unidos na nossa determinação de resistir à agressão russa. Impediremos qualquer pessoa que tente minar a nossa liberdade e segurança.A Rússia procura semear a desconfiança e o medo nas nossas sociedades. Mas fracassará. E apoiaremos a Ucrânia durante o tempo que for necessário."

Da mesma forma, António Costa, presidente do Conselho Europeu, manifestou a solidariedade com a Alemanha e apelou à Rússia para que pare os ataques à Ucrânia.

Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo declarou à agência de notícias Interfax que a Rússia "responderá a todas as ações anti-Rússia".

Kaja Kallas: ataques híbridos da Rússia não vão dissuadir UE de apoiar Kiev

A chefe da diplomacia da União Europeia avisou que os ataques híbridos da Rússia contra a Europa não vão dissuadir os 27 Estados-membros de continuar a apoiar a Ucrânia, considerando que Moscovo está a testar o bloco. Em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), no condado de Wicklow, na Irlanda, antes ainda das declarações dos ministros alemães, Kaja Kallas salientou que a Rússia está a tornar-se cada “mais implacável e destrutiva” na Ucrânia.

“O exército russo está a enfrentar dificuldades no terreno e é por isso que opta por matar civis a partir do céu. Isto é terror deliberado”, acusa, acrescentando que ataques com mísseis russos contra navios de transporte de cereais no Mar Negro estão a pôr em risco “cadeias globais de abastecimento alimentar”. “E a Rússia também está a atingir a Europa com uma onda cada vez maior de ataques híbridos. Com isto, a Rússia pretende assustar-nos e levar-nos a deixar de apoiar a Ucrânia. Não terão sucesso”, adverte a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Pelo contrário, prosseguiu Kallas, a UE tenciona aumentar o seu apoio à Ucrânia e investir mais na sua própria Defesa. “Esta é a melhor forma de travar Putin”, considera, reiterando ainda que a UE está a preparar o pacote de sanções “mais vasto de sempre” contra a Rússia.

Kallas reitera o apelo para que os países europeus forneçam mísseis intercetores em fim de vida à Ucrânia, numa alusão a Espanha e à Grécia – que dispõem de reservas de mísseis, mas estão entre os que menos os forneceram à Ucrânia –, frisando que são cruciais. “Cada míssil intercetor que fornecemos à Ucrânia representa um míssil russo que não atinge uma escola, casa ou hospital ucraniano. E todo o apoio prestado à Ucrânia fortalece a segurança europeia”, sustenta.

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