Já não dá mesmo para esconder: a Rússia está a ficar em pânico com uma série de problemas na produção e escoamento de combustível, num sinal claro de que os consecutivos ataques da Ucrânia estão a resultar.
A mais recente admissão do problema chegou pela voz do vice-primeiro-ministro da Rússia, que anunciou a estabilização da situação, mas admitiu que o Kremlin tem pela frente um momento desafiante.
“Gostaria de notar que, apesar das medidas tomadas, estabilizámos parcialmente a situação. Contudo, a situação continua a ser desafiante”, afirmou Alexander Novak num encontro em que esteve presente todo o governo, incluindo o presidente da Rússia.
Como escreve a agência estatal RIA Novosti, a Rússia enfrenta vários problemas no início deste verão, o que já levou Moscovo a tomar uma série de medidas, incluindo a proibição da exportação de gasóleo até ao final do mês de julho, além de benefícios fiscais à importação de combustíveis e ao aumento da produção interna.
A situação é de tal forma grave que até Vladimir Putin já falou sobre ela, para admitir a existência de problemas, que agora Alexander Novak detalhou. “Foi introduzida uma proibição de exportação de gasóleo e isto vai permitir o aumento do fornecimento no mercado doméstico”, reiterou.
Em paralelo, a Rússia vai mesmo começar a importar combustível a outros países a partir de julho, uma medida extrema para um dos maiores produtores de petróleo de todo o mundo.
“Vamos começar a importar produtos petrolíferos e a aumentar a produção de produtos petrolíferos de uma classe ambiental mais baixa”, acrescentou Alexander Novak, sempre sob o olhar atento de Vladimir Putin.
E o problema nem está apenas na menor produção, mas também na maior necessidade de consumo. Ainda segundo o vice-primeiro-ministro da Rússia, o setor dos transportes está a precisar de mais um terço de combustíveis comparativamente ao que acontecia anteriormente.
Depois de ter ouvido com atenção as explicações do governo, o presidente da Rússia tentou sossegar a população, garantindo que o sistema energético do país é o mais forte do mundo.
Vladimir Putin acusou diretamente a Ucrânia de tentar prejudicar a economia com os repetidos ataques, mas prometeu fazer de tudo para que o povo não sinta o impacto destes problemas, ainda que haja zonas, nomeadamente a Crimeia, que já estão a racionar combustível.
“É absolutamente evidente que o inimigo está a tentar prejudicar a economia, mas, mais importante, está a procurar criar uma atmosfera tensa na sociedade. Entendemos que é uma tarefa impossível. O sistema energético russo tem uma margem de segurança muito alta”, reiterou, sublinhando que as dificuldades existem, sim, mas são temporárias.