Atacar a energia, esvaziar as ruas e conquistar. Como a Rússia está a tentar entrar na segunda maior cidade da Ucrânia - TVI

Atacar a energia, esvaziar as ruas e conquistar. Como a Rússia está a tentar entrar na segunda maior cidade da Ucrânia

Ataque russo danificou central termoelétrica da Kharkiv (Andrii Marienko/AP)

Kharkiv resistiu nas primeiras semanas de guerra, mas este ano a situação pode ser diferente. Os ataques às infraestruturas energéticas criam uma clara desvantagem

“Kharkiv é uma das capitais da Ucrânia, então tem um grande significado simbólico”. As palavras são de uma entrevista do presidente da Ucrânia ao jornal BILD no início do mês, quando já começava a pairar no ar uma possibilidade aterradora para a Ucrânia: a Rússia conquistar a segunda maior cidade do país.

Volodymyr Zelensky garantiu que o exército está a “fazer tudo o que pode” para evitar esse cenário, que consistiria numa grande derrota para Kiev.

Mas a verdade é que, com a ausência da ajuda norte-americana – ainda bloqueada no Congresso – e uma frágil União Europeia, a Ucrânia sabe que vai começar a perder terreno. E o outro lado, a Rússia, sabe exatamente o mesmo: este é o momento de atacar em força e empurrar os ucranianos.

Os bombardeamentos a Kharkiv estão cada vez mais poderosos e constantes e, para os responsáveis ucranianos e ocidentais, isso só quer dizer uma coisa: Moscovo quer forçar os residentes a saírem da cidade para dessa forma a conquistarem.

E já não é um combate no terreno. Para conquistar a segunda maior cidade ucraniana, que fica a menos de uma hora de carro da Rússia, o exército de Vladimir Putin mudou de estratégia. Agora o alvo são as infraestruturas energéticas, incessantemente atacadas, além dos edifícios residenciais que todos os dias ficam reduzidos a ruínas.

São ações coordenadas para tornar a cidade inabitável, garantem à Bloomberg responsáveis norte-americanos que têm avaliado a situação no terreno. As imagens de 12 de abril mostram isso de forma clara. A central termoelétrica de Kharkiv, uma das maiores do país, ficou parcialmente destruída depois de um ataque russo.

Mísseis russos danificaram consideravelmente uma central termoelétrica perto de Kharkiv (Andrii Marienko/AP)

Logo no início da guerra foi o que tentaram fazer, capturar Kharkiv, mas falharam, só que Putin não se esqueceu. “Os ocupantes russos, incapazes de conseguir o que queriam no campo de batalha, estão a tentar semear o pânico e o caos na cidade ucraniana”, afirmou o ministro do Interior da Ucrânia, no início do mês, alertando para uma campanha que já tem em vista uma grande ameaça energética a pensar no próximo inverno.

Mas o governo ucraniano garante que as autoridades não vão desistir da cidade. O ministro das Infraestruturas, Oleksandr Kubrakov, anunciou um plano para restaurar e distribuir energia em toda a cidade e região, onde cerca de 200 mil ucranianos enfrentam dificuldades em ter eletricidade diária.

Ainda esta terça-feira o ministro confirmou uma "reunião produtiva" para discutir o que fazer em relação à rede energética.

Mesmo assim admite-se: “O inverno vai ser desafiante”, disse o ministro da Energia, German Galushchenko, confirmando que estão a ser estudadas formas de “aumentar a capacidade [de produção energética] rapidademente”.

Resta saber se a segunda maior cidade da Ucrânia vai resistir às ameaças ou se os seus cidadãos vão mesmo ter de abandonar o local, estendendo um tapete à entrada russa em cena.

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