Filho do porta-voz do Kremlin alega ter combatido na Ucrânia ao serviço do Grupo Wagner - TVI

Filho do porta-voz do Kremlin alega ter combatido na Ucrânia ao serviço do Grupo Wagner

Dmitry Peskov e Nikolay Peskov (Facebook)

Nikolay Peskov diz ter servido durante seis meses e ter recebido uma medalha pela coragem. "A minha equipa conseguiu um feito. Fizemos um trabalho interessante - não posso dizer mais do que isso"

O filho do porta-voz do Kremlin alega ter combatido na Ucrânia ao serviço do Grupo Wagner, força paramilitar de extrema-direita que luta ao lado das tropas russas no leste do país invadido.

“Considerei que esse era o meu dever… não conseguia estar à margem dos acontecimentos e ver amigos e outras pessoas irem para lá”, disse Nikolay Peskov, filho de Dmitry Peskov, ao jornal pró-governamental Komsomolskaya Pravda.

Nikolay afirma que tomou a decisão de livre vontade, mas não sabia como alistar-se. “Virei-me para o meu pai, que me ajudou no processo”, garante, referindo também que usou uma identificação falsa quando esteve ao serviço do grupo, para que nenhum dos seus “camaradas” soubesse quem era.

O filho do porta-voz do Kremlin diz ter servido durante seis meses e ter recebido uma medalha pela coragem. "A minha equipa conseguiu um feito. Fizemos um trabalho interessante - não posso dizer mais do que isso", comenta.

Aos meios de comunicação russos, o líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, deu mais detalhes sobre a passagem de Nikolay.

"Após um treino de três semanas na nossa base em Molkino, partiu para Lugansk e foi enviado para se juntar à tripulação de um Uragan [lança-foguetes múltiplos]. Mostrou coragem e heroísmo, como todos os outros”, explicou.

Também sem apresentar qualquer prova, Dmitry Peskov, confirmou que o seu filho combateu na Ucrânia ao serviço do Grupo Wagner. "Ele tomou essa decisão. É um homem crescido. Sim, ele participou, de facto, na operação militar especial", disse Peskov esta segunda-feira, citado pela imprensa russa.

Nenhuma fonte independente conseguiu confirmar esta informação. No entanto, o jornal russo Meduza, conhecido pela sua oposição do governo russo, noticiou que o Tesla de Nikolay Peskov foi multado em Moscovo por duas vezes, por excesso de velocidade, durante o período em que supostamente esteve na Ucrânia, nos meses de julho e novembro do ano passado.

Nikolay Peskov, também conhecido como Nikolay Choles, tem 33 anos e viveu uma década no Reino Unido. Durante um curto período, foi jornalista no canal estatal RT. Tal como o pai, entrou no ano passado para as listas de indivíduos e entidades sancionadas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Em setembro passado, Nikolay foi alvo de uma partida por parte de apresentadores de um podcast produzido por membros da equipa de Alexei Navalny, opositor de Vladimir Putin.

Um dos apresentadores, Dmitry Nizovtsev, fingiu ser um oficial do exército encarregado de recrutar soldados para a guerra na Ucrânia. “Olá, Nikolay, é um comissário militar, consegue falar agora?”, começou por perguntar. Nizovtsev pediu a Nikolay Peskov para “não desligar o telemóvel como da última vez” e revelou a “notícia” ao filho do porta-voz.

“Hoje enviámos-lhe uma convocatória através do portal federal de informações, e o senhor ainda não respondeu à carta em papel, que tinha um número para o qual deveria ter ligado, para aparecer no comissariado militar amanhã às 10 horas. Primeiro, porque é que não respondeu à chamada? Segundo, vem amanhã? Estamos à sua espera”, questionou.

“Obviamente não vou estar aí às 10 horas”, respondeu Nikolay. “Deveria perceber que eu sou o senhor Peskov, e não é exatamente correto eu ir aí. De qualquer das formas, vou resolver isto a outro nível”, concluiu.

“Então, podemos recrutá-lo como voluntário?”, prosseguiu o apresentador. “Claro que não!”, respondeu Peskov taxativamente.

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