Há dois meses Zelensky não era "um verdadeiro judeu", agora é um "judeu étnico": Putin faz novas considerações e aproveita para acusar o ocidente inteiro de estar associado à "glorificação do nazismo" - TVI

Há dois meses Zelensky não era "um verdadeiro judeu", agora é um "judeu étnico": Putin faz novas considerações e aproveita para acusar o ocidente inteiro de estar associado à "glorificação do nazismo"

  • CNN Portugal
  • DCT
  • 5 set 2023, 18:44
Putin

Conselheiro de Zelensky já reagiu: "É outra tentativa cínica de Putin usar o tema histórico do Holocausto como uma montra para justificar as modernas práticas nazis russas"

Dois meses depois de ter afirmado que Volodymyr Zelensky “não é um verdadeiro judeu”, Vladimir Putin volta a fazer observações sobre as raízes do presidente ucraniano - e aproveita essa mesma linha discursiva para atacar o ocidente inteiro e também para justificar por que motivo invadiu a Ucrânia. Numa recente entrevista ao jornalista russo Pavel Zaubin, agora citada pela Reuters, o presidente da Rússia acusa o Ocidente de colocar um “judeu étnico” a governar a Ucrânia para “encobrir a glorificação do nazismo”. 

“Os curadores ocidentais colocaram um judeu étnico, um homem com raízes judaicas, como líder da Ucrânia moderna. Com isso, na minha opinião, eles querem encobrir o caráter anti-humano que está subjacente ao Estado ucraniano moderno. O que torna toda esta situação extremamente repugnante porque estão a proteger aqueles que outrora lideraram o holocausto na Ucrânia”, disse o presidente russo, que outrora tinha afirmado que, segundo os seus “amigos judeus”, Zelensky não é judeu.

De acordo com a Reuters, o presidente russo não apresentou qualquer prova para justificar a sua declaração, mas voltou a acusar os dirigentes de Kiev de serem neonazis e de estarem a tentar um “genocídio” de todos os que são ou falam russo, sendo esse o motivo pelo qual deu origem à “operação militar especial”, expressão que usa para a invasão à Ucrânia, que decorre desde 24 de fevereiro do ano passado.

Anton Gerashchenko, conselheiro do ministro da Administração Interna da Ucrânia, partilhou a entrevista de Putin na sua conta no X, antigo Twitter (vídeo legendado em inglês). 

Volodymyr Zelensky ainda não comentou estas declarações do presidente russo, mas o conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, já veio a público dizer que Putin usou a ascendência judaica de Volodymyr Zelensky para “justificar crimes em massa contra cidadãos de outro país”. Para Podolyak, a declaração é uma “mentira monstruosa”, cita o The Guardian.

Num texto publicado no X, Mykhailo Podolyak não se poupou a críticas: “Mais uma vez, uma pessoa que deliberadamente dá ordens para atacar outro país com mísseis, matar em massa, violar, raptar crianças e destruir cidades e aldeias oferece uma nova justificação para a sua inadequação interna. Além de outra tentativa cínica de usar o tema histórico do Holocausto como uma montra para justificar as modernas práticas nazis russas por parte do seu seguidor fascista Ilyin, quero chamar a atenção para outra coisa - esta é mais uma confirmação de que o presidente russo vive no seu próprio mundo, uma bolha artificial isolada da realidade”. 

Para o conselheiro de Zelensky, estas recentes declarações de Putin são mais uma prova de que o presidente russo está “completamente incapacitado” e que por isso é “impossível” negociar. 

Continue a ler esta notícia