A Rússia terá instalado sistemas de defesa antiaérea nos telhados de vários edifícios de Moscovo, protegendo-se de eventuais ataques de aviões ou de mísseis. Imagens partilhadas nas redes sociais mostram uma grua a colocar um sistema de artilharia Pantsir, uma tipologia de mísseis terra-ar, num prédio que pertence ao Ministério da Defesa, perto do rio Moskva.

Um outro vídeo, este partilhado pelo conselheiro do Ministério da Administração Interna da Ucrânia, mostra um sistema semelhante a ser colocado no telhado daquilo que será um bloco de apartamentos, segundo Anton Gerashchenko. Há ainda imagens da instalação de sistemas Pantsir em Taganka, um bairro que fica dois quilómetros a sul do Kremlin.

O responsável ucraniano partilhou ainda um outro vídeo que terá sido filmado em Rublevka, um dos bairros mais exclusivos de Moscovo, e onde Vladimir Putin mora. Anton Gerashchenko afirma que o sistema foi colocado a cerca de 10 quilómetros da residência do presidente russo, sendo as filmagens relativas ao dia 6 de janeiro. 

Além de aviões e mísseis de cruzeiro, o sistema Pantsir também é eficaz na defesa contra helicópteros ou até drones, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa da Rússia.

As imagens da colocação dos sistemas defensivos surgiram um dia antes de vários responsáveis pela defesa dos países do Ocidente se reunirem na base aérea de Ramstein, na Alemanha, onde será discutido um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia que pode incluir equipamentos como tanques pesados.

A Rússia tem tentado dissuadir os países da NATO de continuarem a ajudar Kiev, voltando a ameaçar com uma escalada do conflito caso isso se verifique, chegando mesmo a falar num cenário de guerra nuclear.

“A derrota de uma potência nuclear numa guerra convencional pode provocar uma guerra nuclear”, afirmou o antigo presidente e atual vice-diretor do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev.

O exército russo ainda não confirmou quaisquer instalações de sistemas de antiaéreas, mas vários meios de comunicação russos têm feito referência à instalação de sistemas S-400 em Moscovo e nos arredores, sendo certo que este tipo de artilharia costuma ser utilizada em articulação com os Pantsir.

A instalação dos sistemas surge ainda depois de ter sido conhecido que a Ucrânia começou a utilizar drones com um alcance de mil quilómetros, o que coloca a capital russa ao alcance de ataques lançados a partir de cidades como Kiev ou Kharkiv.

Vários meses depois do início da invasão, as autoridades russas começaram a acusar a Ucrânia de atacar bases militares em território russo, mas nunca com um alcance desta dimensão. Até há poucas semanas. Depois de Kursk, Belgorod ou Briansk, tudo regiões fronteiriças com o território ucraniano, os russos falaram num ataque à base militar de Engels, em Saratov, sensivelmente a 700 quilómetros da Ucrânia, distância semelhante à que Kharkiv está de Moscovo, por exemplo. O mesmo terá acontecido em Ryazan, a menos de 200 quilómetros de Moscovo, ainda que Kiev tenha negado a autoria de quaisquer ataques.

António Guimarães