O ataque dos últimos dias por parte das tropas ucranianas na cidade de Makiivka, situada no Oblast de Donetsk, tem originado informações contraditórias entre ambas as partes envolvidas no conflito.

As forças ucranianas alegam ter atacado, no dia 31 de dezembro, um quartel russo, tendo matado cerca de 400 militares e ferido outros 300. Segundo a agência Reuters, foram disparados pelo menos 25 rockets durante a noite de passagem de ano. 

Entretanto, na mais recente informação divulgada pelo Ministério de Defesa da Rússia, morreram 63 militares. A informação está a ser avançada pela agência estatal russa TASS. O ministério disse ainda que o ataque ocorreu num "alojamento temporário".

As primeiras informações divulgadas por Moscovo diziam que os bombardeamentos - realizados dois minutos depois da meia-noite - tinham atingido um centro de produção de carvão e provocado apenas 15 feridos. Na altura, não fizeram qualquer referência quanto ao número de vítimas mortais. 

O líder da República Popular de Donetsk (DPR), Denis Pushilin, garantiu que os ataques foram realizados com recurso ao sistema de mísseis norte-americanos HIMARS, mas que a defesa anti-aérea tinha impedido muitos deles. "O nosso sistema de defesa aérea estava a trabalhar ativamente. Caso contrário, teria havido muito mais ataques. O trabalho bem coordenado não permitiu que o inimigo realizasse esses ataques com impunidade", disse.

Para além do número de feridos e mortos não ser exato, também existem várias versões quanto ao local. As tropas de Kiev inicialmente disseram que tinham atacado quatro bases militares, a TASS falou num centro de produção de carvão e Daniil Bezsonov, um alto-funcionário apoiado pela Rússia na região de Donetsk, disse que o ataque atingiu um edifício escolar que, segundo informações recolhidas pela Reuters, servia como quartel militar às tropas russas.

Segundo a BBC, o apresentador russo Vladimir Solovyov reconheceu no Telegram que tinham sido registadas "perdas significativas... mas nem perto de 400".

Donetsk está nas mãos de separatistas pró-russos desde 2014 e é uma das quatro regiões ucranianas que Moscovo tentou anexar em outubro, violando o direito internacional.

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 13:50