"O nosso trabalho está longe de estar concluído". EUA acusam quatro soldados russos de crimes de guerra contra americano na Ucrânia - TVI

"O nosso trabalho está longe de estar concluído". EUA acusam quatro soldados russos de crimes de guerra contra americano na Ucrânia

Tropas russas na Ucrânia (AP Images)

“As provas reunidas pelos nossos agentes provam a brutalidade, a criminalidade e a depravação” da Rússia na Ucrânia, defendeu o procurador-geral ao anunciar acusações "inéditas" contra os militares russos

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Chamam-se Suren Seiranovich Mkrtchyan e Dmitry Budnik e são dois dos quatro soldados russos acusados formalmente de crimes de guerra contra um cidadão norte-americano na Ucrânia. A identidade da vítima continua sob sigilo, sabendo-se apenas que é casado com uma ucraniana.

O caso remonta a abril de 2022, dois meses após a invasão russa da Ucrânia, quando os dois oficiais de comando e dois soldados de baixa patente, apenas identificados como Valerii e Nazar, terão raptado o norte-americano na aldeia de Mylove, em Kherson.

Durante dez dias, segundo informações do Departamento de Justiça dos EUA, o americano foi mantido num complexo militar russo na região ocupada, onde foi sujeito a contínuos interrogatórios e a tortura ordenados e perpetrados pelos quatro militares.

Num dos episódios detalhados num documento de nove páginas entregue num tribunal da Virginia, os soldados russos são acusados de “atirar [a vítima] ao chão de cara para baixo, nua, com as mãos atadas atrás das costas, apontando-lhe uma arma à cabeça" antes de o "espancarem a pontapé, ao soco e com os cabos das suas armas”.

No mesmo documento, o Departamento de Justiça refere apenas que a vítima vivia na Ucrânia desde 2021 e que não desempenhou qualquer papel na guerra. Depois de dez dias em cativeiro, o americano e a mulher foram transferidos para outro local.

Em conferência de imprensa nesta quarta-feira, o procurador-geral dos EUA descreveu uma outra sessão violenta em que Budnik “ameaçou a vítima de morte e lhe disse para proferir as suas últimas palavras”. Depois, os soldados levaram o americano para o exterior, onde “o forçaram a deitar-se no chão e lhe apontaram uma arma à nuca”.

“A vítima acreditava que ia ser morta. Eles desviaram a arma mesmo antes de puxarem o gatilho e a bala rasou a sua cabeça. Depois da execução simulada, a vítima foi novamente espancada e sujeita a interrogatórios.”

Para Garland, o trabalho para responsabilizar a Rússia pelas atrocidades cometidas na Ucrânia está só a começar e as acusações “inéditas” de crimes de guerra interpostas na terça-feira contra os soldados russos marcam um momento importante no contexto da invasão da Ucrânia.

“As provas reunidas pelos nossos agentes provam a brutalidade, a criminalidade e a depravação” da Rússia, defendeu o procurador-geral. “Estas acusações criminais contra quatro elementos do Exército russo são as primeiras do Departamento de Justiça ao abrigo do estatuto de crimes dos EUA. São também um importante passo para responsabilizar o regime da Rússia pela guerra ilegal na Ucrânia. O nosso trabalho está longe de estar concluído.”

Cada um dos soldados é acusado de confinamento ilegal, tortura, tratamento desumano e conspiração para cometer crimes de guerra, sob uma lei federal aprovada em 1996 que criminaliza violações da Convenção de Genebra. Nenhum dos acusados está sob custódia das autoridades norte-americanas.

As acusações formais surgem na sequência de uma série de visitas de Garland e de outros funcionários do Departamento de Justiça à Ucrânia e numa altura em que as autoridades norte-americanas estão investidas em criar uma equipa que investigue mais crimes de guerra cometidos pela Rússia, para além de estarem também a apoiar os ucranianos na recolha e documentação de provas.

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