"Passou nos critérios de lealdade de Putin" mas "não é ninguém importante": Viktor Afzalov, o coronel-general pós-Armagedão - TVI

"Passou nos critérios de lealdade de Putin" mas "não é ninguém importante": Viktor Afzalov, o coronel-general pós-Armagedão

Soldados russos na cidade de Kherson (AP Photos)

Há mudanças na liderança militar russa. Mas diz quem sabe que Afzalov vai passar pouco tempo nas funções para as quais acaba de ser escolhido

O coronel-general Viktor Afzalov foi nomeado chefe das Forças Aeroespaciais russas, sucedendo no cargo ao general "Armagedão", Sergey Surovikin, que foi demitido do cargo recentemente depois de vários meses em que foi colocado em causa por alegadas ligações ao Grupo Wagner e a Yevgeny Prigozhin.

O homem que se segue está na frente do planeamento da guerra da Ucrânia desde o início. Nascido em 1968 em Moscovo, Afzalov era o vice-comandante das Forças Aeroespaciais quando Sergey Surovikin era o comandante das Forças Armadas e da operação russa na Ucrânia.

O conselheiro do Ministério dos Assuntos Internos da Ucrânia, Anton Gerashchenko, identifIcou Afzalov como um dos responsáveis por ataques conduzidos com mísseis contra civis. Anton Gerashchenko disse ainda que o coronel-general também ordenou a destruição de infraestruturas energéticas na Ucrânia.

O major-general Isidro de Morais Pereira vê nesta escolha uma tentativa do Kremlin de continuar uma "purga" iniciada após a rebelião do Grupo Wagner, há precisamente dois meses, e que passa por afastar todos os dissidentes que agiram contra a presidência russa naquelas 36 horas.

Esta escolha também era óbvia a nível hierárquico, nota Isidro de Morais Pereira, apontando Afzalov como um "militar de carreira que deve ter passado nos critérios de lealdade".

O também major-general Agostinho Costa concorda que a escolha terá recaído numa lógica hierárquica, admitindo até que se trate apenas de uma escolha interina e não de uma substituição definitiva.

"Era o número dois e agora fica com a pasta. Faz parte dos procedimentos, mas a ideia que temos, das fontes que temos, é que é uma substituição interina", explica.

Sobre a relevância do nome de Afzalov, Agostinho Costa é taxativo: "Não é ninguém importante, não tem uma marca na operação antecedente". Isto apesar de Afzalov, que tem 55 anos, estar na base do planeamento da guerra desde que a mesma se iniciou, em fevereiro de 2022.

Antes disso não é conhecida nenhuma participação de relevo por parte de Afzalov. Ao contrário do seu antecessor ou de nomes como Valery Gerasimov, que ainda comanda as Forças Armadas da Rússia, o seu nome não aparece ligado a operações importantes das guerras mais marcantes da Rússia, como as da Chechénia, Geórgia ou Síria.

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