Piloto ucraniano explica como drones movidos a jet skis afundaram um navio de guerra russo - TVI

Piloto ucraniano explica como drones movidos a jet skis afundaram um navio de guerra russo

  • CNN
  • Joseph Ataman, Frederik Pleitgen e Daria Tarasova-Markina
  • 6 fev, 19:30

Relacionados

Bastaram seis drones marítimos, movidos a jet skis, para afundar um navio russo de mísseis guiados, de acordo com uma rara entrevista com a unidade secreta ucraniana que esteve por detrás do ataque.

Os Serviços Secretos de Defesa da Ucrânia afirmaram na altura que o pequeno navio de guerra russo, o Ivanovets, sofreu vários golpes no casco antes de ser afundado pelos drones numa enseada da península da Crimeia ocupada pela Rússia.

Um dos pilotos de drones responsáveis pelo ataque disse à CNN que foram utilizados dez drones "MAGURA" no ataque, seis dos quais atingiram e acabaram por afundar o navio de guerra russo - a mais recente perda da frota russa do Mar Negro.

Os drones "MAGURA" têm apenas alguns metros de comprimento e são movidos por jet skis, explica o piloto, mas têm um grande alcance de cerca de 800 quilómetros, dando liberdade à unidade para lançar os drones a partir de grandes extensões da costa da Ucrânia para missões contra alvos da Crimeia.

O piloto, identificado com o indicativo de chamada "13", é membro de uma unidade especial da agência de informações secretas de defesa da Ucrânia (GUR), que tem sido associada a uma série de ataques na Crimeia e na própria Rússia, muitas vezes usando drones para atingir alvos muito além do alcance das armas convencionais do arsenal da Ucrânia.

Imagens noturnas divulgadas pelos ucranianos mostraram os russos a disparar contra os drones enquanto estes seguiam em direção ao Ivanovets, antes de pelo menos dois drones atingirem o lado do navio, desativando-o e provocando explosões maciças.

As imagens incluem uma cena impressionante do que parece ser a proa do Ivanovets a sair da água enquanto se afunda no lago Donuzlav.

A CNN não conseguiu verificar de forma independente a alegação da Ucrânia, nem que o navio foi atingido ou quando. A Rússia não fez qualquer comentário oficial sobre as alegações da Ucrânia.

Apelos a mais drones

Nas últimas semanas, Kiev tem vindo a recorrer cada vez mais aos drones para nivelar o campo de batalha com a Rússia, com uma série de ataques de drones a atingir alvos estratégicos na Rússia.

Num dos exemplos mais recentes, as infraestruturas de petróleo e gás da Rússia foram ameaçadas, com um ataque de drones a um terminal petrolífero russo a cerca de 100 quilómetros a oeste de São Petersburgo.

Os russos "começaram a acordar à noite durante as explosões", disse o chefe dos serviços secretos da Ucrânia, Kyrylo Budanov, à CNN no final de janeiro. "Eles estão a ver a verdadeira imagem da guerra".

Os drones "MAGURA" têm apenas alguns metros de comprimento, são movidos por jet skis e têm um alcance de cerca de 800 quilómetros (Peter Rudden/CNN)

Também no campo de batalha, o comandante do exército da Ucrânia apelou a uma utilização mais generalizada de drones, tanto para salvar as vidas das tropas ucranianas como para anular a vantagem material da Rússia em termos de armas e munições.

"São estes sistemas não tripulados - como os drones -, juntamente com outros tipos de armas avançadas, que constituem a melhor forma de a Ucrânia evitar ser arrastada para uma guerra de posição, em que não temos vantagem", escreveu o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Valery Zaluzhny, num artigo de opinião publicado na CNN.

"Em suma, isto significa nada mais nada menos do que a reformulação total das operações no campo de batalha - e o abandono de um pensamento ultrapassado e estereotipado", acrescentou.

Desde a tomada da Crimeia pela Rússia em 2014 - e na sequência de novas perdas após a invasão russa de 2022 - a Ucrânia deixou de ter uma marinha operacional no Mar Negro. Mas o afundamento do Ivanovets é mais uma vitória na campanha da Ucrânia contra a frota russa do Mar Negro.

O mais notável dos ataques foi o realizado contra o Moskva em abril de 2022, que obrigou a Rússia a alterar a forma como opera perto das áreas controladas pela Ucrânia.

Trabalho de joalheiro

O impacto dos drones é impressionante, mas é um trabalho delicado, refere um dos pilotos.

"O principal é sentir o drone", conta à CNN. "Se o apertarmos um pouco, podemos perder o controlo do drone. Eu diria que é como um trabalho de joalheiro.

Controlados à distância através de uma ligação Starlink, os drones podem também ser pré-programados para as longas viagens através do Mar Negro.

Um piloto está constantemente a monitorizar a passagem do drone, com a corrida final para os alvos muitas vezes controlada manualmente.

A carga útil do drone de 250 quilos pode ser aumentada para 300 quilos, acrescenta o responsável, "mas não há necessidade de o fazer". Mesmo contra alguns dos navios mais resistentes da frota do Mar Negro de Moscovo, os drones provaram a sua eficácia.2

Pilotos ucranianos lançaram seis drones contra o navio de guerra russo, provocando o seu naufrágio (Peter Rudden/CNN)

Com quase seis metros de comprimento, os drones são imponentes fora de água. Mas uma vez a flutuar, são um alvo difícil para a defesa dos russos.

"São muito difíceis de ver, especialmente em mar aberto. Este tamanho torna difícil o seu controlo, porque o mar é agitado, mas também torna muito mais difícil para o inimigo atingir-nos", sublinha o piloto.

O armamento a bordo dos navios de guerra russos não foi concebido a pensar nos drones, obrigando alvos como o Ivanovets a utilizar canhões mais adequados para duelos com outros navios.

O vídeo do ataque mostra os projéteis a atingirem a água enquanto os drones se aproximam da embarcação. As munições não conseguem travar as bombas que se aproximam.

Numa demonstração dos drones no Mar Negro, a CNN viu um drone - idêntico ao utilizado contra o Ivanovets - fazer curvas apertadas a alta velocidade em piloto automático. É ágil por projeto.

"Nenhum navio de guerra pode ser tão manobrável como estes drones", conclui um dos pilotos.

Continue a ler esta notícia

Relacionados