O patriarca Cirilo I pediu, Vladimir Putin concedeu. O presidente da Rússia anunciou um cessar-fogo de 36 horas para que ambas as partes possam comemorar o Natal ortodoxo, que se assinala no próximo sábado, 7 de janeiro.

Ou seja, e fazendo fé nas palavras do chefe de Estado russo, entre as 12:00 de 6 de janeiro e as 00:00 de 8 de janeiro (horas locais, menos três horas em Portugal continental).

“Eu, Cirilo, patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, apelo às partes envolvidas no conflito que façam um cessar-fogo e estabeleçam pazes de Natal, para que o povo ortodoxo possa ir às missas da véspera e do dia de Natal”, pode ler-se no comunicado da mais alta figura da Igreja Ortodoxa Russa.

Um pedido ouvido por Vladimir Putin, que instruiu o ministro da Defesa a introduzir um cessar-fogo. “Tendo em conta que um grande número de cidadãos professa a vida ortodoxa nas áreas das hostilidades, pedimos ao lado ucraniano que declare um cessar-fogo e permita as idas à missa”, disse o presidente russo.

Recorde-se que Cirilo I tem sido um grande apoiante da invasão russa, que Moscovo opta por chamar de “operação especial militar”. O patriarca chegou mesmo a dizer que “o serviço militar limpa todos os pecados”. Uma posição bem diferente da do Vaticano, com o Papa Francisco a referir-se à guerra como “expansionismo e imperialismo” por parte de Vladimir Putin. O choque de palavras já motivou mesmo o Sumo Pontífice a pedir que Cirilo I não se torne num “rapaz de altar de Putin”.

Ucrânia dispensa cessar-fogo

A proposta de Vladimir Putin não caiu bem em Kiev. O conselheiro do presidente da Ucrânia afirmou que a Rússia deve deixar todos os “territórios ocupados” antes de se chegar a qualquer “paz temporária”.

“A Ucrânia não ataca território estrangeiro e não mata civis. A Federação Russa fá-lo. A Ucrânia só destrói membros do exército que ocupam o seu território”, acrescentou Mykhailo Podolyak, dizendo ainda que a Rússia deve “manter a hipocrisia para si”.

O mesmo responsável já tinha comentado as palavras de Cirilo I, apelidando-as de “armadilha cínica e elemento de propaganda”.

“A Igreja Ortodoxa Russa não é autoridade para a ortodoxia global e age como uma propagandista de guerra”, disse ainda Mykhailo Podolyak, reiterando que aquela instituição “pediu o genocídio dos ucranianos, incitou homicídios em massa e insiste numa maior militarização da Federação Russa.

António Guimarães