Tropas ucranianas abatem drone civil chinês à venda no Alibaba e readaptado pela Rússia - TVI

Tropas ucranianas abatem drone civil chinês à venda no Alibaba e readaptado pela Rússia

  • CNN Portugal
  • PF
  • 16 mar 2023, 09:16

Aparelho pode ser comprado por 15 mil dólares nos portais de venda online da China. “É uma forma pouco sofisticada de conduzir a guerra”, refere um especialista

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As forças ucranianas abateram um exemplar do drone civil chinês Mugin-5, readaptado e armado pela Rússia, no leste do país.

A informação foi revelada por soldados ao serviço de Kiev a uma equipa da CNN Internacional no terreno, que confirmou a veracidade das alegações. De acordo com estes militares, o drone foi abatido com recurso a AK-47 durante o fim de semana.

Ao canal norte-americano, a empresa chinesa Mugin Limited, fabricante do drone, confirmou que se tratava de um exemplar produzido na sua fábrica de Xiamen, na costa leste da China, e classificou o incidente de “profundamente infeliz”. “Não apoiamos este tipo de utilização, estamos a fazer o nosso melhor para o parar”, adiantou a empresa.

Estes drones são conhecidos entre a comunidade tecnológica como “drones Alibaba”, uma vez que se vendem a 15 mil dólares (cerca de 14 mil euros) nos portais de venda online Alibaba e Taobao.

De acordo com a CNN Internacional, na noite de sexta para sábado, os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) foram alertados pelos seus agentes em território russo para o lançamento de um drone em direção à Ucrânia, que passaram a mensagem a brigadas ucranianas localizadas perto da cidade de Sloviansk. O drone foi avistado e ouvido às 02:00 da manhã, hora local, por militares da 111.ª Brigada das Forças de Defesa Territorial da Ucrânia, que o abateram.

“A partir do som e das luzes, as tropas dispararam muitos tiros contra o drone e abateram-no”, afirmou Maksim, soldado ucraniano, à CNN Internacional.

Segundo a mesma fonte, o drone voava a muito baixa altitude. Perto do local onde foi abatido, as forças ucranianas encontraram uma cratera causada pela carga explosiva com cerca de 20 quilos equipada no drone, que foi posteriormente detonada em segurança pelos combatentes.

Chris Lincoln Jones, ex-militar britânico e especialista em drones, apelida o dispositivo de “pouco sofisticado”. "Este drone em particular seria muito mais eficaz se fosse equipado com uma câmara decente. Esta parece ser uma forma muito grosseira, pouco sofisticada e não muito avançada tecnologicamente de conduzir a guerra”, diz à CNN Internacional, destacando, no entanto, o baixíssimo custo de preparar e operar este aparelho.

Para além da Mugin Limited, a CNN Internacional contactou outras empresas cujas peças equipavam o drone, incluindo o fabricante taiwanês de servomecanismo MKS Servos. "Alguns fabricantes de drones podem equipar os seus aparelhos para uso militar com os nossos produtos. Não estamos satisfeitos com isso e é contra a missão e visão da nossa empresa”, adiantou um porta-voz.

A CNN Internacional pediu uma reação ao Ministério da Defesa da Rússia, mas não obteve resposta.

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