De cara destapada, por vezes atacava casais de namorados: como agia o violador em série de Guimarães - e como a PJ o apanhou - TVI

De cara destapada, por vezes atacava casais de namorados: como agia o violador em série de Guimarães - e como a PJ o apanhou

Tem 33 anos, trabalha e está numa relação com uma mulher. Colaboração dos residentes, das vítimas e dos respetivos familiares foi "fundamental" para o trabalho da polícia (nota do editor: a fotografia usada neste artigo é de arquivo)

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De cara destapada, com recurso a arma branca, escolhia as vítimas nas zonas de diversão noturna. É suspeito de ter violado duas mulheres em Guimarães e de ter tentado agredir sexualmente mais oito na mesma cidade.

Há poucos pormenores sobre o perfil deste homem e a Polícia Judiciária também tem sido parca em detalhes. Numa conferência de imprensa na manhã desta quarta-feira, o diretor da PJ de Braga, António Gomes, revelou apenas que o suspeito de 33 anos "tem família e profissão", bem como antecedentes criminais - especificando apenas que os antecedentes são de criminalidade violenta. Mas a CNN Portugal sabe que o alegado violador, que tem uma companheira, já foi condenado em 2010 por agressões sexuais, tendo cumprido uma pena efetiva de três anos e meio de prisão. 

A PJ refere que o homem trabalha "como servente" - a CNN Portugal apurou que é funcionário de uma empresa de energias renováveis - e que, até ao momento, as autoridades não têm informação de que tenha cometido crimes fora da zona de Guimarães. 

O facto de ter escolhido sempre a mesma cidade e zona de diversão noturna para agir acabou por permitir às autoridades começarem a encaixar as peças relativas ao suspeito, nomeadamente o seu "modus operandi", explicou o diretor da PJ de Braga: foi possível perceber que "em determinada zona, após reconhecimento da zona dos casais de vítimas, estes eram abordados com bastante violência [pelo suspeito], nuns casos usando armas brancas, noutros casos através da força física. Nalguns casos subtraía importâncias em dinheiro, seguidamente praticava atos sexuais de especial relevo", revelou António Gomes. 

Atacava casais de namorados

No comunicado enviado às redações na terça-feira em que dava nota da detenção do chamado "violador de Guimarães", a Polícia Judiciária revela um caso ocorrido na madrugada de terça-feira da semana passada, 22 de agosto, e que envolveu um casal de namorados no centro da cidade de Guimarães, ilustrando o modo de agir deste homem.

"O suspeito, após efetuar várias passagens de carro pela zona, acabaria por apear-se e abordar os jovens, que interpelou de forma provocatória. De seguida, empunhando uma faca, ameaçou diretamente o elemento masculino, levando a que este se afastasse do local. Nessa sequência, a jovem e o suspeito acabaram por ficar fora do ângulo de visão do namorado da primeira, altura em que o suspeito a manietou, ameaçando-a com a faca e encaminhando-a para uma artéria adjacente, onde, num local mais escondido, acabou por, com recurso à força e agressão física, praticar contactos e atos sexuais de relevo com ela", descreve a PJ. 

A CNN Portugal sabe que o homem é igualmente suspeito de ter violado em maio uma jovem de 22 anos, na zona envolvente do castelo de Guimarães. Quanto às tentativas de violação, a PJ terá identificado oito, nomeadamente a de uma mulher de 68 anos que foi agredida mas que conseguiu escapar. Na esmagadora maioria, as vítimas escolhidas pelo autor dos crimes eram jovens e algumas estavam, como se percebe pelo exemplo anterior, acompanhadas dos namorados, que eram impelidos a fugir e procuravam alertar as autoridades - dando oportunidade ao criminoso para exercer as agressões sexuais.

As motivações do suspeito, acredita a PJ, são essencialmente de "pendor sexual". O diretor da Judiciária de Braga não quis revelar se o homem, que já foi constituído arguido e é esta quarta-feira presente a um juiz para determinação das medidas de coação, está a colaborar com as autoridades. "Será de presumir que a questão sexual possa ter um pendor maior no âmbito desta atuação", afirmou António Gomes. "Em termos físicos, as ofensas à integridade física eram simples, não eram graves. Embora a violência fosse usada para intimidar as vítimas, para as submeter à sua vontade, não havia o exercício de uma violência que pudesse ir além desta intenção de subjugar a vítima aos seus intentos, aos seus objetivos", acrescentou o diretor da PJ de Braga.

Questionado se se trata de um caso de compulsão sexual, António Gomes preferiu não responder. "Só em perícia de personalidade, se for realizada", atalhou.

Residentes, vítimas e familiares foram "fundamentais"

O caso gerou grande alarme social em Guimarães, o que levou a um grande investimento das autoridades nesta investigação, referiu o diretor da Polícia Judiciária de Braga. "Foi o número de situações que exigiu uma tomada de posição, de maneira a terminarmos com estes crimes", explicou António Gomes, acrescentando que a colaboração dos residentes, das vítimas e seus familiares foi "fundamental" para o trabalho da polícia. 

A PJ não precisa um número dos casos sob suspeita mas está a trabalhar em factos que ocorreram nos últimos meses, um "conjunto alargado de situações desde finais do ano passado". "Temos prova testemunhal, que é uma base importante, reconhecimentos pessoais, temos a recolha de elementos feita noutras apreensões que permitem, do meu ponto de vista, indiciar fortemente o cometimento destes crimes."

Sobre a investigação, António Gomes não quis entrar em detalhes. "São investigações muito complexas e muito difíceis. É preciso perceber que as vítimas passam por um acontecimento muito traumatizante, que torna bastante difícil dar elementos concretos sobre os autores. É a soma da recolha de indícios destas várias situações que permite apontar para o suspeito", explicou. "Houve recurso a videovigilância, houve informações das vítimas, uma colaboração muito grande das vítimas, dos familiares, das pessoas que se dirigiram à Judiciária ou fizeram telefonemas dando informações preciosas para conduzir a estes resultados."

António Gomes fechou a conferência de imprensa apelando à colaboração de todos que queiram prestar informações sobre crimes, nomeadamente agressões sexuais, não descartando a possibilidade de haver, num futuro próximo, novas denúncias ligadas a este mesmo suspeito - as vítimas têm seis meses para avançarem com uma queixa nos órgãos criminais competentes, lembrou.

Suspeito fica em prisão preventiva

O juiz do Tribunal de Guimarães decretou prisão preventiva para o suspeito. O homem de 33 anos vai ficar detido no Estabelecimento Prisional de Braga.

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