Chefe dos serviços de emergência de Maui demite-se após ausência de alertas durante os fogos - TVI

Chefe dos serviços de emergência de Maui demite-se após ausência de alertas durante os fogos

  • Agência Lusa
  • AM
  • 18 ago 2023, 07:19
Havai, depois dos fogos (EPA)

O sistema de alertas do Havai, o maior do mundo, não foi ativado durante os fogos que fizeram pelo menos 111 mortos, admitiram as autoridades, e as sirenes permaneceram em silêncio

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O chefe dos serviços de emergência da ilha de Maui demitiu-se na quinta-feira, após ser criticado pela ausência de alertas nos incêndios florestais no Havai, os mais mortíferos em mais de um século nos Estados Unidos.

O condado de Maui confirmou a notícia nas redes sociais, alegando que a demissão de Herman Andaya se deveu a motivos de saúde, e garantiu que o responsável será substituído o mais breve possível.

Durante os incêndios, os avisos oficiais na televisão, na rádio e no telemóvel revelaram-se inúteis para muitos habitantes, sem eletricidade ou sem conexão à internet.

O sistema de alertas do Havai, o maior do mundo, não foi ativado, admitiram as autoridades, e as sirenes permaneceram em silêncio.

Na quarta-feira, Andaya tinha defendido a não utilização do sistema de alertas, argumentando que, como tinha sido criado em caso de tsunamis, poderia levar as pessoas a fugir da costa, em direção às chamas.

O sistema de sirenes de alerta foi criado após um tsunami que matou mais de 150 pessoas na Ilha Grande do Havai em 1946 e, de acordo com o portal do sistema na Internet, pode ser usado para avisar sobre incêndios.

O número de mortos nos incêndios subiu para 111, sendo que a maioria dos corpos foram até agora encontrados perto da orla marítima ou no oceano, uma vez que dezenas de pessoas saltaram para a água para escapar às chamas.

Na quarta-feira, o governador do arquipélago, Josh Green, admitiu que o balanço ainda pode aumentar consideravelmente, numa altura em que centenas de pessoas continuam desaparecidas.

As equipas de resgate, compostas por socorristas e cães farejadores, ainda só terminaram as operações de busca de corpos em cerca de 45% da área afetada em Lahaina, a capital histórica da ilha de Maui e uma das zonas turísticas mais populares do Havai.

Horas antes do anúncio da demissão de Herman Andaya, a procuradora-geral do Havai, Anne Lopez, anunciou a realização de uma investigação “imparcial e independente” sobre a resposta das autoridades ao desastre, que poderá demorar vários meses.

Os moradores de Lahaina têm criticado também a falta de água que prejudicou os bombeiros e a impossibilidade de saída da cidade, uma vez que as estradas rapidamente ficaram bloqueadas por veículos.

A maior distribuidora de eletricidade do arquipélago, a Hawaiian Electric, foi também acusada de ter causado os incêndios, numa queixa apresentada por advogados de pessoas afetadas em Lahaina.

A ação argumenta que a Hawaiian Electric, que fornece eletricidade a 95% do estado, "indesculpavelmente deixou as suas linhas de energia operacional durante as condições previstas de alto risco de incêndio".

Desalojados vão ficar em hotéis durante próximos meses

Os habitantes desalojados pelos incêndios florestais estão a encher os hotéis do Havai, onde podem permanecer pelo menos até à próxima primavera.

As autoridades do arquipélago do Havai esperam esvaziar os abrigos lotados e desconfortáveis até ao início da próxima semana e transferir as pessoas para quartos de hotel, frisou na quinta-feira o vice-presidente de operações de desastres da Cruz Vermelha norte-americana.

Os hotéis estão também disponíveis para receber desalojados que passaram os últimos oito dias a dormir em carros ou a acampar em estacionamentos, acrescentou Brad Kieserman.

“Poderemos manter as pessoas em hotéis pelo tempo que for necessário até encontrarmos casa para elas”, destacou Kieserman, durante uma conferência de imprensa.

Os contratos com os hotéis durarão pelo menos sete meses, mas podem ser facilmente estendidos, garantiu ainda, acrescentando que as propriedades terão a colaboração de prestadores de serviços que oferecerão refeições, aconselhamento, assistência financeira e outros apoios.

O governador do Havai, Josh Green, tinha destacado que pelo menos mil quartos de hotel serão reservados para aqueles que perderam as suas casas.

Além disso, a agência sem fins lucrativos da plataforma AirBnB fornecerá propriedades para mil pessoas, adiantou a empresa.

O número de mortos nos incêndios florestais no Havai, os mais mortíferos em mais de um século nos Estados Unidos, subiu na quarta-feira para 111, de acordo com os mais recentes dados.

As equipas de resgate, compostas por socorristas e cães farejadores, ainda só terminaram as operações de busca de corpos em cerca de 38% da área afetada em Lahaina, a capital histórica da ilha de Maui, tinha referido o governador do Havai.

As autoridades do Havai têm vindo a apelar a que os familiares dos desaparecidos façam um teste de ADN para ajudar a identificar os corpos. Apenas cinco dos mortos já foram identificados.

As equipas mobilizadas incluem especialistas que trabalharam nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, em acidentes de avião ou em incêndios florestais nos Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Joe Biden, desloca-se na segunda-feira à ilha de Maui para visitar a zona mais afetada pelos incêndios, enquanto a oposição critica a sua resposta alegadamente débil ao desastre.

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