Henry Kissinger morre aos 100 anos - TVI

Henry Kissinger morre aos 100 anos

Kissinger foi o arquiteto da reaproximação histórica entre a China e os Estados Unidos, na década de 1970

O antigo Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger morreu esta quarta-feira na sua casa, no estado do Connecticut, de acordo com um comunicado publicado no seu site oficial. Tinha 100 anos. As causas da morte do diplomata norte-americano não foram reveladas.

Uma figura polarizadora, Kissinger foi responsável por algumas das mais importantes decisões geopolíticas norte-americanas do mundo do pós-guerra, em particular na década de 1970. Negociou a reaproximação histórica entre a China e os Estados Unidos de forma a afastar o gigante asiático do seu aliado soviético e negociou a saída dos Estados Unidos do Vietname, o que lhe valeu um prémio Nobel da Paz.

O antigo político norte-americano estava longe de ser uma figura consensual. Muitos criticam o papel de Kissinger pelo seu apoio a algumas das mais mortíferas campanhas de bombardeamento como arma diplomática, em particular no Laos e no Camboja, durante a guerra do Vietname. Esta decisão acabaria por levar ao aparecimento do regime do Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979, que resultou no genocídio de milhões.

“Para mim, a tragédia do Vietname foram as divisões que ocorreram nos Estados Unidos que tornaram, no final, impossível alcançar um resultado compatível com os sacrifícios que foram feitos”, disse o antigo diplomata numa entrevista à CNN Internacional em 2005.

A visão do mundo de Kissinger foi moldada pela sua experiência de infância. Judeu nascido em maio de 1923, na Alemanha Nazi, Kissinger fugiu com a família para os Estados Unidos da América em 1938, um ano antes de começar a Segunda Guerra Mundial.

Kissinger, que foi assessor de Segurança Nacional e secretário de Estado de Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977), visitou secretamente Pequim, em julho de 1971, para preparar o estabelecimento de relações diplomáticas e abrir caminho para a histórica visita de Nixon à China, em 1972.

O antigo político norte-americano continuou, nas últimas décadas, a visitar a China, onde se reuniu por várias vezes com Xi Jinping. A abertura de Washington à China, então isolada, propiciou o início da transformação económica do país asiático, esta quinta-feira a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

É difícil recordar um Secretário de Estado com tanta influência como Kissinger. Aconselhou 12 presidentes e, muitos anos após a sua reforma, continuou a encontrar-se e a aconselhar alguns dos mais altos líderes mundiais. Recentemente, já depois de ter celebrado o 100.º aniversário, viajou para a China, onde se encontrou com o principal diplomata chinês Wang Yi, em Pequim.

Recentemente, Kissinger deu várias entrevistas onde expressou a sua opinião em relação à invasão russa da Ucrânia. O antigo governante admite que era contra a ideia de uma Ucrânia na NATO, mas sugere que uma Ucrânia fortemente armada e sem apoio militar pode ser um perigo muito maior. Por esse motivo, Kissinger defendeu que a adesão da Ucrânia à NATO deve ser uma prioridade para os países ocidentais. 

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