Uma grávida de 39 semanas, que deu entrada no Hospital de Leiria com contrações a cada três minutos, na noite de domingo, foi mandada para casa. A direção clínica garante que a decisão “foi correta e segura do ponto de vista clínico”, já que “a utente não estava em trabalho de parto”. Horas depois, deu à luz.
Segundo a diretora clínica, a grávida realizou um registo contínuo que “não evidenciou contrações” e, por isso, foi orientada para regressar ao hospital da sua área de residência, em Lisboa. Enquanto aguardava transporte, começou novamente a sentir dores e acabou por ser readmitida no mesmo hospital para vigilância.
"Teve um registo contínuo, não se verificou contrações, pelo que foi promovida à alta, com segurança, segundo dados clínicos, e encaminhada para o hospital da área de residência que é em Lisboa. Entretanto, a senhora ficou à espera que viessem buscá-la. Começa ao final da manhã, por volta do meio-dia, novamente com dores, não eram contrações, e aí foi readmitida para ficar novamente em vigilância. Nunca houve efetivamente uma saída da grávida do ambiente hospitalar", explicou a diretora clínica do Hospital de Leiria, Catarina Farial, aos jornalistas, esta manhã.
Ao final do dia, a mulher sofreu a ruptura da bolsa e entrou em trabalho de parto cerca da uma da manhã, tendo o bebé nascido “sem complicações” às 5:30.
O hospital sublinha que “a alta foi dada com segurança” e que é frequente este tipo de situação ocorrer, "pois o início do trabalho de parto é imprevisível”.
"Clinicamente foi uma decisão correta. Aliás, acontece com muita frequência, porque efetivamente a senhora não estava em trabalho de parto. As senhoras que têm em alta são avisadas que a qualquer momento, se começarem com contrações ou com uma ruptura de bolsa, devem encaminhar-se para avaliação hospitalar na maternidade mais próxima", explicou Catarina Faria.
A grávida, residente em Almeirim, a cerca de 100 quilómetros de Leiria, optou por deslocar-se a este hospital por conveniência. Questionada sobre se a instituição não poderia ter assegurado transporte até casa ou até um hospital mais próximo, Catarina Faria afirmou que o Hospital de Leiria “tem todas as condições” para garantir uma alta segura, incluindo transporte em ambulância, mas que, neste caso, a utente informou “que os pais a viriam buscar”.