Mulher diz que foi separada do filho recém-nascido devido à falta de pediatras em Portimão - TVI

Mulher diz que foi separada do filho recém-nascido devido à falta de pediatras em Portimão

  • CNN Portugal
  • SS
  • 3 mar 2023, 17:59
Recém-nascido (GettyImages)

Testemunho foi partilhado no Instagram. Centro Hospitalar do Algarve diz que "prestou com qualidade a atenção médica que se impunha, felizmente com sucesso e salvaguarda da saúde de todos"

Uma mulher que dera à luz há apenas dois dias viu-se separada do filho, recém-nascido, por causa da falta de pediatras no Hospital de Portimão. O caso passou-se com Adriana Fernandes, na semana passada, e, num testemunho partilhado no Instagram esta mãe não só expressa grande indignação como deixa a pergunta: "Num hospital que se diz 'Amigo dos Bebés', onde a amamentação é recomendada e a importância da proximidade mãe-bebé é, ou deveria ser, valorizada, como é que me dizem que devo ser separada do meu filho com apenas dois dias de vida?".

Adriana Fernandes começa por contar que deu entrada no Hospital de Portimão no dia 21 de fevereiro com uma indução de parto agendada e que o filho nasceu no dia seguinte. Foi na sexta-feira, 24 de fevereiro, que esta história se começou a complicar: "Sou informada que durante o fim de semana não haverá pediatras ao serviço no Hospital de Portimão. No período dessa manhã, o pediatra deu alta ao meu bebé e logo de seguida o médico indica-me que eu também terei alta", escreve. Mas, uma vez que sofrera perdas significativas durante o parto e queria ter alguma segurança no momento de receber a alta, Adriana Fernandes questionou o médico no sentido de saber se as suas análises já tinham sido vistas. "Pouco tempo depois o médico volta e informa-me que realmente não me pode dar a alta porque as minhas análises não estavam nada boas."

Ora, Adriana Fernandes teria de permanecer então internada no Hospital de Portimão, mas o bebé, de apenas dois dias, teria de ir para casa com o pai. "Tendo em conta que o Hospital de Portimão não podia ter crianças internadas durante o fim de semana por falta de pediatras, e como o meu bebé teve alta mas eu não, sou informada de que o meu bebé não pode ficar internado comigo e que terá de ir para casa."

"Nós ainda somos um só, ele precisa tanto de mim como eu dele, e somos separados assim? Isto é sequer uma opção?", questiona.

Mas o caso não acabou aqui. Acontece que, algumas horas depois de o pediatra ter dado alta ao bebé, já à noite, Adriana conta que o pai levou o recém-nascido às urgências de Portimão "porque o bebé não estava bem". Foi reencaminhado para Faro. "Portanto, eu e o meu filho ficámos internados em hospitais diferentes e ninguém se dignou a transferir-me para perto do meu bebé! Sofri horrores com saudades do meu menino e ninguém teve a decência de arranjar uma solução! Se eu não tive alta o meu bebé também não deveria ter e tínhamos de ter sido transferidos, juntos, para uma unidade hospitalar onde fôssemos aceites os dois."

Adriana diz que só no dia 27 de fevereiro voltou a ter o filho nos braços e que até esse momento passou os "dias mais vazios e dolorosos" da sua vida. Esta mãe nota que foi separada do filho "numa altura crucial" para o bebé, que "interromperam de forma brusca o processo de aleitamento". Acrescenta ainda que escreveu no Livro de Reclamações da unidade hospitalar.

"Enquanto pais que se sentiram impotentes e indignados escrevemos a nossa situação no Livro de Reclamações do Hospital de Portimão e esperamos sinceramente que o Hospital assuma os diversos erros que cometeu."

A CNN Portugal contactou o Centro Hospitalar Universitário do Algarve, ao qual pertence o Hospital de Portimão, que, numa resposta por escrito, refere que "apreciados todos os factos, clínicos e circunstanciais, sem podermos referir dados legais de carácter individual de todos envolvidos, que comprovam a boa razão e fundamentos da nossa resposta assistencial nos casos, vimos reafirmar que, pela situação da utente e do pai, o CHUA prestou com qualidade a atenção médica que se impunha, felizmente com sucesso e salvaguarda da saúde de todos".

A CNN Portugal também contactou Adriana Fernandes, que disse preferir falar sobre este caso mais tarde.

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