Ricos escrevem ao G20 a dizer que estão disponíveis para pagar mais impostos. Objetivo, dizem eles: "Impedir que a riqueza extrema corroa" o futuro - TVI

Ricos escrevem ao G20 a dizer que estão disponíveis para pagar mais impostos. Objetivo, dizem eles: "Impedir que a riqueza extrema corroa" o futuro

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  • Por Joana Morais Fonseca
  • 5 set 2023, 11:29
Alva Yachts Ocean Eco 90 (foto: Alva Yachts)

Cerca de 300 milionários, economistas e representantes políticos pedem ao países do G20 que aumentem os impostos sobre os mais ricos, "através de uma colaboração internacional"

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Um conjunto de cerca de 300 milionários, economistas e representantes políticos escreveram uma carta aberta aos países membros do G20 a defender um aumento dos impostos sobre os indivíduos mais ricos, tendo em vista combater as desigualdades e “impedir que a riqueza extrema corroa” o futuro coletivo.

“A acumulação de riqueza extrema pelos indivíduos mais ricos do mundo tornou-se um desastre económico, ecológico e de direitos humanos, ameaçando a estabilidade política em países de todo o mundo. Estes níveis acentuados de desigualdade minam a força de praticamente todos os nossos sistemas globais e devem ser enfrentados de frente“, afirmam os signatários numa carta aberta, entres os quais Abigail Disney, herdeira e filantropa da Disney, os antigos líderes da Roménia, Croácia, República Checa e Bulgária, o eurodeputado europeu Aurore Lalucq, o senador norte-americano Bernie Sanders, os artistas Brian Eno e Richard Curtis, a ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, e economistas como Gabriel Zucman, Jayati Ghosh, Kate Raworth, Jason Hickel, Lucas Chancel ou Thomas Piketty.

“Décadas de redução dos impostos sobre os mais ricos, com base na falsa promessa de que a riqueza no topo beneficiaria de alguma forma todos nós, contribuíram para o aumento da desigualdade extrema”, apontam, na carta organizada por várias entidades entre as quais a organização humanitária Oxfam, acrescentando que as escolhas políticas permitiram que os mais ricos “continuem a utilizar paraísos fiscais e a desfrutar de tratamento preferencial, na medida em que, na maioria dos países do mundo, pagam taxas de impostos mais baixas do que as pessoas comuns”.

“Não podemos permitir que a riqueza extrema continue a corroer o nosso futuro coletivo”, declaram no documento, apelando aos Estados-membros do G20, as nações mais industrializadas do mundo, que aumentem os impostos sobre os indivíduos mais ricos, “através de uma colaboração internacional verdadeiramente inclusiva e ambiciosa para tributar a riqueza e impedir a concorrência e a evasão fiscal por parte das pessoas mais ricas”.

O objetivo passa por criar “novos regimes fiscais – a nível nacional e internacional – que eliminem a capacidade dos ultra-ricos de evitar o pagamento das suas dívidas e introduzam novas regras que determinem maior tributação da riqueza extrema”, reiteram, elencando que esse acordo permitiria combater as desigualdades, bem como permitir angariar as verbas essenciais “para enfrentar os múltiplos desafios que o mundo enfrenta”.

De recordar que Espanha — que pertence ao G20 através da União Europeia e não como país individual — avançou este ano com um novo “imposto de solidariedade” sobre as grandes fortunas, superiores a três milhões de euros, que vigorará, pelo menos até 2024, e que o executivo espanhol justifica com a necessidade de financiamento da resposta à crise gerada pela guerra na Ucrânia e à inflação.

Entre os subscritores desta carta aberta constam até agora dois portugueses: é o caso dos eurodeputados José Gusmão e Marisa Matias.

Na missiva, os signatários alertam ainda que “pela primeira vez em décadas, a pobreza extrema está a aumentar e quase dois mil milhões de pessoas” vivem em países onde a inflação não compensa os aumentos de salários, causando uma perda de poder de compra. ” Além disso, o tempo está a esgotar-se rapidamente para que os países façam os investimentos verdes necessários que se alinhariam com o limite de aquecimento de 1,5 graus exigido no Acordo de Paris”, avisam.

De acordo com os dados da organização humanitária Oxfam, na última década os bilionários viram as suas fortunas mais do que duplicar, passando de 5,6 biliões de dólares para 11,8 biliões de dólares. As fortunas dos bilionários estão a aumentar 2,7 mil milhões de dólares por dia, numa altura em que o mundo está a ser afetado por uma crise do aumento do custo de vida, na sequência da inflação e num contexto de subida dos juros.

Nos últimos 10 anos, os milionários com fortunas superiores a 50 milhões de dólares viram a sua riqueza aumentar, enquanto os bilionários viram a sua riqueza disparar 109%. Apenas 4 cêntimos em cada dólar de receita fiscal provêm dos impostos sobre a riqueza, adianta ainda a Oxfam.

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