Fumo violento, vento forte-fortíssimo, 70 pessoas retiradas de casa, 880 cães e gatos salvos: um incêndio grande, um grande susto em Cascais - o que se sabe - TVI

Fumo violento, vento forte-fortíssimo, 70 pessoas retiradas de casa, 880 cães e gatos salvos: um incêndio grande, um grande susto em Cascais - o que se sabe

Autoridades tiveram de criar fossas e de recorrer a faixas de contenção para travar as chamas. Hospital de Cascais teve de adoptar procedimentos para proteger do fumo os pacientes e as demais pessoas nas instalações do edifício

Centenas e centenas de bombeiros, vários meios aéreos e veículos terrestres de muitos municípios da Grande Lisboa: toda a ajuda foi pouca para combater um incêndio de grandes dimensões que deflagrou em Alcabideche, Cascais, e que ainda ameaçava durante a noite de terça-feira algumas zonas urbanas. Do local tiveram de ser retirados centenas de animais, uma localidade foi evacuada e houve conselhos para a readaptação do hospital do concelho às circunstâncias.

Quando às 17:00 as chamas se iniciaram era difícil de prever o que podia acontecer, mas o vento forte (chegou a ser de mais de 100 quilómetros por hora) e a zona de acesso difícil fizeram antever o pior. Por essa altura chegaram a estar a combater o fogo mais de 400 operacionais, apoiados por mais de 100 veículos e 14 meios aéreos. Com o cair da noite e a fraca visibilidade, os aviões e helicópteros saíram de cena, aumentando o dispositivo em terra, com mais de 650 operacionais e 180 veículos.

Por uma questão de precaução foram retiradas mais de 70 pessoas das suas casas, nomeadamente pelo perigo de que o vento voltasse a mudar a direção das chamas. Por isso mesmo as autoridades utilizaram máquinas de arrasto para criarem fossas que impedissem o fogo de avançar tão rapidamente.

“Fizemos evacuações por precaução. As pessoas estão a ser acompanhadas pela Proteção Civil e pela câmara”, garantiu à CNN Portugal o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras.

Por volta das 19:30 a Proteção Civil confirmava o vento como o “grande inimigo” das autoridades, que conseguiram, até ao momento, salvar todas as habitações em perigo.

Pouco depois das 20:30, Carlos Carreiras explicou que o vento continuava a ser a principal preocupação – com o registo de rajadas até 60 quilómetros/hora -, perspetivando-se, depois das 21:00, “algum abrandamento da intensidade” do vento, bem como uma alteração da sua direção.

“O vento tem estado no sentido de todos os perímetros periurbanos, [mas prevê-se] que possa inverter no sentido da própria serra de Sintra. Para isso foram já tomadas precauções no sentido de colocar faixas de contenção, com máquinas de arrasto”, afirmou, admitindo, ainda assim, que as variáveis em causa podem “ser alteradas a qualquer momento”.

Na zona para a qual o vento se estava a dirigir quando Carlos Carreiras falou com a CNN havia “algumas casas dispersas”, mas os moradores, por estarem inseridos neste perímetro florestal, “têm formação sobre como devem proceder”.

O autarca corroborou a informação da Proteção Civil de que não havia, até ao início da noite, danos materiais e disse não ser ainda possível indicar uma estimativa da área ardida.

A5 cortada e hospital a fechar janelas

Por precaução foram também cortadas algumas vias, “não por causa do fogo mas por causa do fumo e também para facilitar o acesso aos meios de proteção civil e segurança”. Entre elas está a autoestrada A5, que foi cortada nos dois sentidos entre os nós de Alvide e de Cascais.

Fora de perigo, e apesar de informações iniciais terem apontado o contrário, esteve sempre o Hospital de Cascais, que, apesar disso, teve de adotar algumas recomendações. Carlos Carreiras explicou que o intenso fumo que se fazia sentir levou as autoridades a recomendarem o fecho de todas as janelas e a interrupção dos sistemas de extração para que o interior da unidade não fosse afetado.

“O Hospital de Cascais está na direção da coluna de fumo mas não corre qualquer risco, nem para os utentes do hospital, nem para os colaboradores”, confirmou Hugo Santos, da Proteção Civil.

Para já não se sabe ao certo qual o rumo que as chamas vão tomar, mas espera-se uma noite difícil: “As próximas horas vão ser horas muito difíceis. Primeiro para conseguir dominar o incêndio e depois fazer uma consolidação através de máquinas de rasto”, acrescentou Hugo Santos.

Centenas de animais retirados

Cerca de 880 animais da Associação São Francisco de Assis e de outro canil foram retirados das instalações devido ao incêndio que lavra em Cascais desde meio da tarde. Os animais foram transferidos para o campo de futebol do Zambujeiro e estão em segurança, adiantou pelas 20:30 o vereador responsável pela Associação São Francisco de Assis.

Cerca de 800 cães e gatos estavam na Associação São Francisco de Assis e outros 80 cães estavam num canil junto à 3.ª Circular de Cascais.

De acordo com o vereador da Câmara de Cascais, no distrito de Lisboa as chamas chegaram junto à vedação da Associação São Francisco de Assis, situada em Alcabideche. A operação para a retirada dos animais foi feita com o apoio da população, de várias associações e da organização IRA - Intervenção e Resgate Animal.

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