Bombeiros recebem em função da área ardida? Liga dos Bombeiros desmente presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais - TVI

Bombeiros recebem em função da área ardida? Liga dos Bombeiros desmente presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais

  • Agência Lusa
  • BC
  • 28 jul 2023, 08:52
Incêndio na Serra do Montejunto (Lusa/ António Pedro Santos)

Tiago Oliveira, presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, disse na Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas que os bombeiros recebem em função da área ardida. Liga diz que afirmação é "totalmente falsa" e que toda as verbas compensatórias estão "assumidas nas Diretivas Operacionais e na Diretiva Financeira, ambas do MAI"

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A Liga dos Bombeiros Portugueses desmentiu esta sexta-feira o presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), que disse que os corpos de bombeiros recebem em função da área ardida, e exigiu um pedido de desculpas.

O presidente da AGIF, Tiago Oliveira, foi ouvido na quinta-feira na Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas, onde questionou o facto dos “corpos de bombeiros receberem em função da área ardida”, e onde disse também que “há municípios a gastar meio milhão de euros, uma barbaridade de dinheiro nos bombeiros, quando não gastam dinheiro a gerir a floresta”.

Em comunicado, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) refere que a afirmação de Tiago Oliveira “é totalmente falsa e desprovida de prova e de senso, porque os corpos de bombeiros não têm independência financeira, dependendo das Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros, como as Associações Humanitárias de Bombeiros”.

“Todas as verbas compensatórias recebidas pelas AHB [Associações Humanitárias de Bombeiros]- são insuficientes, como temos vindo a afirmar -, estão assumidas nas Diretivas Operacionais e na Diretiva Financeira, ambas do MAI [Ministério da Administração Interna]”, refere a organização.

A Liga considera que o responsável “deve pedir desculpas públicas aos Bombeiros e às Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros, repondo a verdade dos factos”.

Em declarações aos deputados na quinta-feira, o presidente da AGIF questionou o facto dos “corpos de bombeiros receberem em função da área ardida”, considerando o “objetivo perverso”.

Disse ainda que há municípios “a gastar meio milhão de euros, uma barbaridade de dinheiro nos bombeiros, quando não gastam dinheiro a gerir a floresta”, sendo necessário balancear a prevenção e o combate.

“Há um conjunto de resistências de natureza política, de distribuição de poder, de não cumprimento de procedimento de poderes, de dinheiros não verificados que têm de ser escalpelizados”, afirmou na quinta-feira o presidente da AGIF.

Quanto às afirmações sobre os dinheiros gastos pelos municípios com os bombeiros e às “resistências” quanto a “dinheiros não verificados” , a LBP lembra: “devia ter conhecimento que todas as verbas entregues às AHB são escrutinadas pelo Tribunal de Contas e que fazem parte dos respetivos planos de atividades e orçamentos das autarquias”.

“Infelizmente, para poderem sobreviver e garantir o socorro às populações, as Entidades Detentoras dos Corpos de Bombeiros têm de incluir nos orçamentos anuais verbas para sustentação dos corpos de bombeiros, que em nada têm a ver com apoio direto ao combate aos incêndios florestais, os quais representam, aliás, apenas 7% da atividade total, não obstante o impacto mediático desta missão”, insiste.

A Liga exige ao presidente da AGIF que apresente “desculpas públicas aos Bombeiros, aos Comandantes de Bombeiros, aos Dirigentes Associativos e às Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros (Câmaras Municipais e Associações Humanitárias de Bombeiros)” e apela ainda ao Governo e à Associação Nacional dos Municípios Portugueses que esclareçam publicamente as condições em que os bombeiros são apoiados financeiramente.

Apela ainda ao Governo para que “sejam tomadas as consequentes medidas pelas afirmações caluniosas” e diz que se reserva no direito de “tomar todas as medidas que considere necessárias e oportunas para responsabilizar o autor das afirmações” e repor da verdade.

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