Portugal continental está agora em situação de alerta devido ao risco de incêndio. Ao início da tarde, existiam mais de 1.980 operacionais, apoiados por mais de 600 meios terrestres e 22 meios aéreos a combater 90 incêndios.
Os incêndios que mais preocupam as autoridades são os de Vila Real. Depois de uma semana, o fogo em Ponte da Barca, em Viana do Castelo, foi dado com dominado.
Torgueda, Siralhelhos e Vila Cova (Vila Real): do controlo à evacuação
A meio da manhã deste domingo surgia a informação sobre dois incêndios a lavrar numa área de pinhal e mato em Torgueda e Siralhelhos, em Vila Real. Para o local foram mobilizados mais de 220 operacionais e 10 meios aéreos. À Lusa, o comandante dos bombeiros da Cruz Branca de Vila Real, Orlando Matos, referia que estes fogos estavam a causar preocupações, tendo pontos muito quentes.
Em Torgueda, o receio era de que as chamas avancem em direção às aldeias de Granja e Bisalhães, localidades onde estavam a ser posicionados meios de combate. Contudo, ao final da manhã, o autarca referia que o fogo em Arrabães (pertencente a Torgueda) estava “em fase de consolidação”, não inspirando “grande perigo”.
No fogo de Siralhelhos havia duas frentes ativas, uma das quais lavrou em pinhal em direção a Gontães. O autarca Alexandre Favaios referiu a presença de 110 homens, 30 viaturas e sete meios aéreos. À tarde, eram já quase centena e meia de operacionais, apoiados por 40 meios terrestres e 13 aéreos. Não há, até ao momento do balanço, nem aldeias nem bens em risco.
Questionado sobre a origem do incêndio, o presidente da câmara recordou apenas que a ignição se deu “às 11 da noite em Sirarelhos”. Ou seja, admitiu mão criminosa.
Pelo meio-dia chegava a indicação de que o vento forte empurrou estas chamas para a aldeia de Vila Cova. Foram posicionados meios para proteger habitações e pedido a alguns residentes que saíssem das suas casas de forma preventiva. Os idosos foram levados para o centro da aldeia, junto da igreja paroquial, com o apoio de outros populares.
A população queixa-se de que os terrenos, sem limpeza, são do Estado. Ao início da tarde, eram visíveis chamas em vários pontos à volta da aldeia. Ou seja, a aldeia estava cercada pelo fogo. O vento tem-se mostrado um obstáculo ao combate, mudando rapidamente o rumo do fogo.
Em Gontães, uma capela chegou a estar ameaçada pelas chamas durante a tarde. Contudo, a intervenção de um meio aéreo impediu o pior. À distância, populares choravam por ver este símbolo de fé em risco.
Sabrosa (Vila Real): depois do susto, controlado
Este incêndio deflagrou este sábado por volta das 14:30. Começou em São Cibrão, acabando por alastrar ao concelho de Sabrosa.
Pela meia-noite, tinha duas frentes ativas. Mobilizava este domingo, também já durante a tarde, cerca de 300 operacionais, apoiados por uma centena de veículos terrestres e um meio aéreo.
Três bombeiros ficaram feridos sem gravidade, sendo transportados para o Hospital de Vila Real com queimaduras superficiais.
Também 19 idosos foram retirados do lar de São Martinho de Anta. Parte destes idosos passou a noite na Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa. Os restantes no Mercado de Produtos Durienses.
Em Sabrosa, as chamas rapidamente ameaçaram as casas. Os moradores relataram que o fogo mudou de direção em segundos.
Na manhã deste domingo, José Requeijo, segundo-comandante da sub-região do Douro fez um novo ponto de situação. Falou num “cenário bastante favorável” à custa de um “trabalho muito eficaz das equipas durante a noite, apoiadas por quatro máquinas de rastro”.
Havia, contudo, ainda “alguns pontos quentes” que preocupavam e impediam um domínio do incêndio. Nesta fase, 80% do perímetro encontrava-se já dominado. Ainda assim, as autoridades receiam que as condições meteorológicas “adversas”, como ventos fortes, possam contrariar este cenário.
Pelas 11:00, o presidente da Câmara de Vila Real Alexandre Favaios realçava que a situação estava "estabilizada".
Celorico de Basto: fogo mobiliza mais de 250 operacionais
Um incêndio que lavra desde sábado em Celorico de Basto, no distrito de Braga, continua ativo e a mobilizar mais de 250 bombeiros, indicou o comando sub-regional de operações de socorro do Tâmega e Sousa.
Numa publicação nas redes sociais, o Município de Celorico de Basto dá conta de que o local é “de muito difícil acesso e povoado de plantas invasoras” e que, com “as temperaturas muito elevadas, com baixa humidade, tornaram o combate dos meios presentes no terreno muito difícil”.
Fonte do comando sub-regional de operações de socorro do Tâmega e Sousa indicou à Lusa, cerca das 18:45, que o incêndio “continua ativo desde ontem [sábado]”.
De acordo com o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, no terreno estão 265 operacionais, 80 meios terrestres e três meios aéreos.
O incêndio teve início em Lourido, freguesia de Arnoia.
Ponte da Barca: uma semana depois, dominado
O fogo de Ponte da Barca, que já lavra há mais de uma semana, não ameaça habitações. Foi dado como dominado ao final da manhã deste domingo, segundo revelou o comandante da Proteção Civil, Elísio Oliveira
Na manhã deste domingo mobilizava mais de 500 operacionais, apoiados por cerca de 170 viaturas e três meios aéreos. No combate, os responsáveis salientaram que a ação dos meios aéreos tem de ser feita com critério face às difíceis condições de acesso.
Ainda assim, segundo o comandante Elísio Oliveira, será mantido "todo o dispositivo no terreno" devido à possibilidade de reativações.
Este incêndio consumiu mais de seis mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Pelo menos 35 bombeiros feridos na última semana
Refira-se que os incêndios da semana passada feriram 35 bombeiros a nível nacional. Um dos casos mais graves, revelado pela Liga de Bombeiros, foi o de um bombeiro que sofreu queimaduras na cara e nos braços em Penafiel.
Portugal entrou este domingo em situação de alerta, que se mantém até quinta-feira. As autoridades estão de prevenção e há várias proibições aplicadas.
Este domingo, as temperaturas máximas previstas vão dos 28 graus em Aveiro aos 42 graus em Santarém e Évora.