Calçado entra em 86 escolas para atrair jovens para as fábricas - TVI

Calçado entra em 86 escolas para atrair jovens para as fábricas

  • ECO - Parceiro CNN Portugal
  • António Larguesa
  • 14 mai 2023, 14:00
Calçado

Campanha da indústria do calçado para “atrair uma nova geração de talento” vai começar em escolas primárias de Felgueiras, Guimarães, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira

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Está prestes a arrancar a mega campanha da indústria portuguesa do calçado para chamar jovens às fábricas, que o ECO noticiou em primeira mão em fevereiro, numa altura em que há pouca mão-de-obra disponível e metade das empresas do setor assume estar a precisar de contratar, segundo o mais recente boletim trimestral de conjuntura elaborado pela associação do setor (APICCAPS), em parceria com a Universidade Católica.

A primeira fase deste programa a três anos, denominado “Roteiro do Conhecimento” e em que pretende “divulgar o potencial da indústria do calçado”, “valorizar o território e atividades locais” e “potenciar a indústria local”, vai começar pelos alunos do 1.º ciclo, num total de 86 escolas dos concelhos de Felgueiras, Guimarães, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira. A partir de setembro, vai chegar aos estudantes do 2.º e 3.º ciclos.

“Continua a existir na sociedade um conjunto de estereótipos relacionados com os setores industriais que importa desmistificar. Ainda que não seja um problema exclusivamente português, há um trabalho de proximidade a desenvolver. (…) As autarquias das zonas de forte concentração da indústria de calçado serão autênticas parceiras deste Roteiro do Conhecimento e desempenharão um papel de grande relevância no desenvolvimento da programação pedagógica”, frisa um comunicado da APICCAPS.

A fileira do calçado emprega atualmente 40.730 trabalhadores, contabilizando ter criado 3.259 postos de trabalho no ano passado, o que significa um crescimento de 8,7%. Os patrões do calçado sublinham que “à medida que o setor evolui para novos patamares de exigência, aumenta igualmente a necessidade de contratação de colaboradores cada vez mais qualificados”.

Evolução do número de empresas e do emprego no calçado

Além do desenvolvimento de iniciativas em ambiente escolar e junto dos centros de formação, a associação liderada por Luís Onofre vai promover ações de rua e uma campanha em “ambientes digitais mais próximos dos alunos”, como na rede social TikTok. Em paralelo, e em “colaboração mais estreita com os stakeholders” pretender aprofundar com o Centro Tecnológico do Calçado o desenvolvimento de “novas soluções tecnológicas mais amigáveis e capazes de atrair as gerações do futuro”.

A APICCAPS já ensaiou outras iniciativas do género no passado, mas “estas agora serão mais ambiciosas e prolongadas no tempo”, como tinha referido ao ECO o diretor de comunicação, Paulo Gonçalves. E vão alargar o âmbito às famílias. “Vamos procurar atuar a dois níveis: falar ao coração dos mais jovens e também para as suas próprias famílias. Porque a informação que temos é que muitas das reservas que existem até nem são dos próprios jovens, mas dos pais, que em algum momento das suas vidas se cansaram de trabalhar na indústria e redefiniram prioridades para a vida das suas famílias”, contextualizou o porta-voz.

Evolução da produção e das exportações do calçado

Em 2022, esta indústria viu o preço médio de venda dos sapatos para os mercados internacionais subir 8,7%, para 26,40 euros por par, contribuindo para o novo máximo histórico registado pelo cluster do calçado e artigos de pele. Com vendas totais de 2.347 milhões de euros no exterior – dos quais 2.009 milhões de euros em calçado, num total de 76 milhões de pares, uma quantidade 10,5% superior à do ano anterior –, no último exercício, o setor progrediu 22,2% em termos de valor exportado.

Este “Roteiro do Conhecimento” enquadra-se no Plano Estratégico do Cluster do Calçado 2030, com o qual a indústria portuguesa do calçado quer ser “referência internacional” e reforçar as exportações, “aliando virtuosamente a sofisticação e criatividade com a eficiência produtiva, assente no desenvolvimento tecnológico e na gestão da cadeia internacional de valor, assim garantindo o futuro de uma base produtiva nacional, sustentável e altamente competitiva”.

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