Brasil: programa de Jô Soares investigado - TVI

Brasil: programa de Jô Soares investigado

  • Portugal Diário
  • 27 nov 2007, 17:47

Em causa estão comentários a penteados de mulheres angolanas e sua sexualidade

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Um programa do entrevistador brasileiro Jô Soares sobre os penteados das mulheres angolanas e sua sexualidade, exibido pela Rede Globo de Televisão, está a ser investigado pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro por alegado preconceito, escreve a Lusa.

As denúncias surgiram há dez dias e ainda não há uma conclusão da procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Márcia Morgado, responsável pelo caso, disse hoje o Ministério Público (MP).

No «Programa do Jô», que foi exibido no último dia 18 de Junho, o angolano Ruy Morais e Castro, hoje taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo do seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.

Num dos exemplos, o entrevistado diz que o penteado de uma mulher na faixa dos 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clítoris para que se tornasse tão «apertada» quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciam a vida sexual.

«Foi uma atitude bizarra do «Programa do Jô», que deveria nos dar um direito de resposta. A entrevista com o taxista foi uma aberração do «Programa do Jô», porque expôs, execrou a mulher e não levou em conta os valores de uma cultura e de sua ancestralidade», disse a coordenadora do Colectivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro.

Essa entidade considera que a entrevista foi «ofensiva a todas as mulheres, em particular às mulheres negras, pelo tom de deboche e desrespeito às mulheres muila».

Segundo outra representante do movimento negro brasileiro, Alvira Rufino, houve uma «violência psíquica contra a mulher negra» nesse quadro do «Programa do Jô».

«Não se pode analisar a cultura de um povo e fazer críticas a costumes pré-estabelecidos partindo de uma visão eurocêntrica. O programa foi preconceituoso, racista e teve a intenção de desvalorizar os costumes de um povo», disse a presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra.
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