Frente a um adversário que vinha numa sequência de sete derrotas seguidas, o Sp. Braga viu e desejou-se para ampliar o recorde negativo do Nice. Depois do golo de Pau Víctor, os guerreiros baixaram as armas e quase sucumbiram numa segunda parte ao nível do ambiente no Allianz Riviera, desoladora. Salvou-se o mais importante, o primeiro triunfo em solo francês da história dos bracarenses, que garante desde já o play-off e deixa-os na rota do apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa. Mas que custou, lá isso custou.
Na cidade onde o sol é quase omnipresente, o ambiente em torno do Allianz Riviera teima em manter-se numa obscuridade cada vez mais depressiva. Sem ganhar desde finais de outubro, o Nice experimentou jogar quase sem adeptos nas bancadas, e mesmo assim não evitou umas assobiadelas valentes.
O “cuplado” disso foi o Sp. Braga, que impôs o seu jogo associativo desde o apito inicial. O domínio bracarense chegou a ser avassalador até ao momento em que Pau Víctor desfez o nulo, corria o minuto 28. Um lance lapidar do que se passou em campo até então.
As movimentações de Pau Víctor e Ricardo Horta, sempre disponíveis para entrar na rotação da bola feita pelos bracarenses, iam fazendo mossa numa equipa do Nice muito rígida nos posicionamentos.
Com Víctor Gómez e Leonardo Lelo bem projetados nas alas e Grillitsch a ditar os ritmos na zona central, as rápidas e constantes trocas de bola e variações de flanco dos bracarenses faziam destapar uma manta que encurtava a cada esticão, mas El Ouazzani não esteve à altura em dois lances de golo iminente, aos minutos 13 e 18.
O Nice, com nove alterações no onze inicial comparativamente com o jogo do último fim de semana com o Angers, procurava esconder as debilidades na construção com bolas constantemente batidas na profundidade, que eram também constantemente resolvidas sem grande dificuldade pelos arsenalistas.
Quando, na reta final do primeiro tempo, procuraram saídas para o ataque mais trabalhadas, os franceses viveram momentos de alguma aflição, com os jogadores do Sp. Braga a “cheirarem” a bola bem perto, mas faltou maior agressividade na pressão para os portugueses poderem tirar proveito do notório desconforto adversário nessa fase.
A jogar pelo brio profissional, o Nice surgiu com uma postura mais agressiva no segundo tempo. Começou a apertar mais nas saídas do Sp. Braga para o ataque e, assim, provocou erros até então improváveis no adversário.
Mas, como já tinha acontecido na etapa inicial, a manta não demorou a destapar lá atrás no lado francês. Só que, tal como também já tinha sucedido antes, El Ouazzani voltou a ser perdulário, desta vez com mérito para os reflexos apurados de Dupé (52 minutos).
Sem conseguir fechar o jogo, o Sp. Braga não evitou uma série de calafrios junto à sua baliza, contando com um inspirado Lukas Hornicek na baliza para continuar na frente do marcador. O guarda-redes checo negou o empate a Kevin Carlos (54 minutos) e Jansson (60 minutos) com duas defesas providenciais, perante a apatia geral dos restantes companheiros de setor.
Carlos Vicens não gostava do que via, meteu em campo os “pesos pesados” Lagerbielke e Moutinho, só que estava difícil para os bracarenses mudarem o chip na segunda parte. No outro lado, Franck Heise respondia com Diop e Cho, mas o jogo acabou por acalmar.
Persistia, no entanto, uma sensação constante de perigo junto da baliza dos arsenalistas, que um conjunto de maus passes ia mantendo viva. Porém, apesar das ameaças do Nice, o 1-0 prevaleceu até ao apito final. Com o play-off já no bolso dos minhotos, o sonho do apuramento direto para os oitavos da Liga Europa ganha forma a cada jornada que passa.
FIGURA: Lukas Hornicek (Sp. Braga)
Depois de uma primeira parte tranquila, o guarda-redes do Sp. Braga revelou-se decisivo para o triunfo em Nice com um par de intervenções de elevado grau de dificuldade, a remates de Kevin Carlos e Jansson, mantendo a sua baliza a zeros pelo quarto jogo na fase regular da Liga Europa. Voltou a ser uma solução fiável nas saídas de bola desde trás dos arsenalistas. Um esteio num setor que tremeu de forma notória na etapa complementar.
MOMENTO: Pau Víctor confirma ascendente bracarense antes do apagão (28 minutos)
O domínio do Sp. Braga na meia hora inicial ganhou expressão com o golo de Pau Víctor, na conclusão de um belo desenho do ataque arsenalista. Poderia ser o desbloqueador para um triunfo tranquilo, mas os minhotos adormeceram no resto do primeiro tempo e tiveram de lidar com a resposta do Nice no segundo. Valeu-lhes este golo. E Hornicek, claro.