O Mundial das Américas arranca esta quinta-feira e terá um anfitrião mais do que habituado a situações solenes como esta. O duelo com a África do Sul fará do México a seleção que mais vezes participou no jogo de abertura de um Campeonato do Mundo. E os Aztecas nunca foram campeões do mundo, o que torna esta estatística ainda mais impressionante.
Esse fator é relevante aqui porque, entre 1974 e 2002, era o campeão em título quem tinha a honra de abrir o torneio. E durante esse período, os mexicanos nunca fizeram frente ao país incumbente a abrir a competição.
Só que o histórico da Tricolor até à década de 1970 é impressionante, numa altura em que não existiam critérios universais para a definição do jogo de abertura de um Campeonato do Mundo.
O México, por exemplo, esteve presente no primeiro jogo de sempre de um Mundial, no Uruguai 1930 (jogou-se ao mesmo tempo o Estados Unidos da América-Bélgica), bem como na abertura dos Mundiais de 1950, 1954, 1958, 1962 e 1970. Mais recentemente, em 2010, inaugurou o torneio com a então anfitriã África do Sul (1-1).
Em 2026, o México vai abrir pela oitava vez um Mundial, o que lhe permitirá descolar do Brasil, que o fez em sete ocasiões. Convém, no entanto, ressalvar que as fases finais do Itália 1934, do Suíça 1954 e do Chile 1962 contaram com vários jogos em simultâneo na ronda de abertura, com a Canarinha em ação em todos eles, enquanto os mexicanos o fizeram apenas nos dois últimos.
À oitava aparição, o México procurará a sua primeira vitória de sempre no jogo de abertura de um Mundial, o que não deixa de ser peculiar. Tentará fazê-lo na reedição do primeiro jogo do Campeonato do Mundo de 2010, frente à África do Sul. A partida tem transmissão em direto na TVI, a partir das 20h00.
Curiosamente, o selecionador dos mexicanos é o mesmo de há 16 anos, Javier Aguirre, e há um “sobrevivente” desse jogo na convocatória, o lendário guarda-redes Guillermo Ochoa, hoje com 40 anos, que em Portugal jogou no AVS.
Estreias positivas para os anfitriões
Este ano, o México vai organizar o Campeonato do Mundo de futebol pela terceira vez, depois de o ter feito em 1970 e 1986. Porém, este ano, vai fazê-lo juntamente com os Estados Unidos da América e o Canadá, na primeira fase final disputada em mais de dois países.
As três nações procurarão dar seguimento à tendência de resultados positivos dos países organizadores no primeiro jogo que disputam na edição que estão encarregues de coordenar. Afinal, só o Qatar perdeu na estreia nessas circunstâncias, no caso frente ao Equador (2-0), há quatro anos.
Em toda a história do Campeonato do Mundo de futebol, apenas em cinco ocasiões o país organizador empatou o seu jogo de estreia na edição que recebeu (Inglaterra em 1966, o próprio México em 1970, Espanha em 1982, Estados Unidos da América em 1994 e Japão em 2002), tendo os restantes entrado a ganhar.
Um bis a abrir? É muito provável
Nas últimas duas décadas, só por uma vez não se viu um jogador bisar no jogo de abertura de um Mundial. Aconteceu, precisamente, no África do Sul-México de 2010, que terminou empatado a uma bola.
Nos restantes casos, o alemão Miroslav Klose marcou dois dos golos no triunfo, por 4-2, da Alemanha sobre a Costa Rica em 2006, tal como Neymar no 3-1 do Brasil frente à Croácia em 2014, Denis Cheryshev no 5-0 da Rússia diante da Arábia Saudita em 2018 e Enner Valencia no 2-0 do Equador frente ao anfitrião Qatar em 2022.