Mubarak troca o caótico Cairo pela estância de Sharm el Sheik - TVI

Mubarak troca o caótico Cairo pela estância de Sharm el Sheik

Presidente egípcio deixa capital um dia depois de dizer que não sairá do poder até às eleições. Previsto para breve comunicação ao país

Relacionados
Última actualização às 15:21

A televisão Al Arabiya avançou ao final da manhã que Hosni Mubarak e a sua família abandonaram o Cairo. Posteriormente, a Al Jazeera garante que o presidente egípcio se encontra na estância turística de Sharm el Sheik. As últimas informações desta cadeia televisiva dão conta que o palácio presidencial fará uma comunicação ao país em breve. A Reuters indica que será o próprio presidente a fazê-la.

Enquanto isso, centenas de milhares de pessoas continuam concentradas na Praça Tahrir, no Cairo, e em outras grandes cidades do país, para mais uma jornada de manifestação contra o presidente egípcio. Não é visível a presença da polícia ou de forças militares. O chefe de Estado delegou alguns poderes no vice-presidente, esta quinta-feira, mas não renunciou ao poder.

Numa altura em que havia expectativas sobre qual seria a posição do Exército, depois do discurso de Mubarak, o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) do Egipto emitiu um comunicado onde insta a população a regressar a suas casas, alinhando, ao que tudo indica, com a permanência no poder de Mubarak.

As autoridades militares avançam ainda que as medidas de emergência podem ser levantadas, «assim que as actuais circunstâncias terminarem» - uma clara indicação de que querem a população fora das ruas, segundo escreve a Reuters, citando o «Comunicado Nº 2» da cúpula militar. Esta promessa resultaria na revogação de uma lei imposta há 30 anos que, segundo a oposição, é usada para sufocar a dissidência. O documento avança ainda que os militares estão dispostos a garantir eleições livres, mudanças constitucionais e protecção da nação.

Entretanto, o ministro das Finanças egípcio disse esta sexta-feira que os militares não estão a participar da governação e assegurou que as forças armadas estão na rua «para proteger os manifestantes e proteger o país» e sublinhou que «os poderes foram entregues, não aos militares, mas ao vice-presidente». Numa entrevista telefónica com a agência Reuters, Samir Radwan admitiu ainda: «Se a fórmula funcionar, estaremos numa posição muito melhor».

«O Governo está a funcionar. Ontem tive uma reunião ministerial no comité que monitoriza a economia todos os dias. Não temos qualquer intervenção militar. As minhas comunicações são com o primeiro-ministro», disse.

Obama: transição apresentada «não é clara»

Numa reacção ao discurso de quinta-feira de Mubarak, o presidente americano, Barack Obama, considerou que a «transição da autoridade» apresentada pelo presidente Hosni Mubarak «não é claro se é imediata, significativa ou suficiente».

«Demasiados egípcios mostram-se pouco convencidos que o Governo seja sério sobre uma genuína transição para a democracia», afirmou Obama em comunicado.

Para o presidente norte-americano, o Governo do Egipto «deve avançar por um caminho inequívoco, credível e concreto até à democracia genuína e até ao momento não aproveitou essa oportunidade».
Continue a ler esta notícia

Relacionados