“Um apagão claramente intencional de segurança”. É assim que a Folha de S. Paulo descreve a atuação das forças de segurança brasileiras durante a invasão deste domingo à Praça dos Três Poderes, perpetrada por apoiantes de Jair Bolsonaro.

Igor Gielow, do jornal brasileiro, afirma que as imagens dos polícias militares do Distrito Federal, “gravando vídeos e tirando selfies durante a manifestação prévia à invasão, falam por si só”. O jornalista aponta crítica também o exército, que “não mexeu uma palha para alertar o Ministério da Defesa ou a pasta da Justiça para as movimentações” em Brasília.

Também sob fortes críticas está a Secretaria de Segurança do Distrito Federal, que alegadamente terá ignorado, este sábado, um pedido de reforço de segurança por parte do Senado, face ao elevado número de apoiantes de Bolsonaro acampados nas imediações da Praça dos Três Poderes.

Em resposta à contestação, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decidiu exonerar o secretário de segurança da região, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro. Sobre Anderson Torres recai já um pedido de prisão, enviado pela Advocacia Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal.

Em declarações à CNN Brasil, Ibaneis Rocha tentou, no entanto, distanciar-se dos atos deste domingo, apontando a responsabilidade ao exército brasileiro, que, nas suas palavras, “deveria ter acabado com o acampamento [de apoiantes de Bolsonaro] e não o fez”.

Como a CNN Portugal já noticiou, no discurso em que anunciou a intervenção federal, o presidente Lula da Silva acusou a Polícia Militar do Distrito Federal de “má-fé”.

"Lamentavelmente, quem tem de fazer a segurança do Distrito Federal é a Polícia Militar, que não fez: houve incompetência, má vontade e má-fé das pessoas que cuidam da segurança pública", afirmou o presidente brasileiro, acrescentando que esta "não é a primeira vez": "Vocês vão ver nas imagens que eles vão guiando as pessoas na caminhada até à parte dos três poderes". 

CNN Portugal / PF