Em reação à invasão do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, vários políticos americanos pediram a deportação de Jair Bolsonaro. Joaquín Castro, membro da Câmara dos Representantes pelo 20.º distrito do Texas, afirmou no Twitter que “não pode ser concedido refúgio a Bolsonaro na Florida, onde ele se tem escondido para evitar a responsabilização pelos seus crimes”. “Tem de ser enviado de volta para o Brasil”, afirmou o deputado à CNN Internacional.

Também Alexandria Ocasio-Cortez, deputada na mesma câmara pelo 14.º distrito de Nova Iorque, pediu a deportação do anterior chefe de Estado brasileiro. “Temos de ser solidários com o governo democraticamente eleito de Lula da Silva. Os EUA devem deixar de conceder refúgio a Bolsonaro na Florida”, pediu a congressista.

Sobre este pedido, o comentador da CNN Portugal no Brasil, Nelson Garrone, afirma que pode haver “boa vontade” dos governos dos dois países em “cooperar” numa eventual extradição, mas questiona o peso dado à posição de Ocasio-Cortez.

“A principal figura a pedir a extradição foi a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Não sabemos se isso vai ter muito peso junto do governo dos Estados Unidos, já que ela é considerada como sendo parte da extrema-esquerda americana. Mas haveria, posso dizer sem qualquer medo de errar, uma boa vontade - quer do governo americano, quer do governo brasileiro - em cooperar”, analisa Garrone. “Jair Bolsonaro acaba por ser um peso nos Estados Unidos. Ele pode acabar por 'insuflar' as manifestações, poucas palavras já são suficientes. A única coisa boa do comunicado é que ele reconhece que o chefe de Estado é Lula da Silva. Tirando isso, Bolsonaro não condenou os atos violentos. Acaba por ser inconveniente dentro do território americano”, conclui o comentador.

Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais, considera “difícil” que haja uma extradição “em sentido estrito”. “Por muito que a administração americana acabe por se sentir desconfortável com a presença de Jair Bolsonaro, penso que mais rapidamente ele compreenderá que não será ali bem-vindo e que precisará de encontrar outro local. Não me parece muito provável que Joe Biden e os democratas façam esse ataque direto."

Onde está mesmo Bolsonaro?

Durante a tarde de domingo, enquanto os apoiantes de Jair Bolsonaro invadiam a Praça dos Três Poderes em Brasília, muitos questionavam se o ex-presidente iria falar para tentar acalmar a multidão vestida de amarelo. Nas reações à sua comunicação, na qual Bolsonaro não condenou explicitamente a invasão, muitos utilizadores do Twitter pediram a sua deportação. Mas onde anda mesmo o ex-presidente do Brasil?

Esta informação foi amplamente noticiada no final do ano passado. No dia 30 de dezembro, dois dias antes da tomada de posse de Lula da Silva, Bolsonaro rumou aos Estados Unidos, mais concretamente ao estado da Florida, e confirmou que a intenção é por lá passar todo o mês de janeiro.

Nesta cerca de semana e meia que lá passou, Jair Bolsonaro já foi visto em vários locais frequentados pelos habitantes. Logo no dia 31 de dezembro, o então ainda presidente foi fotografado a comer frango frito num restaurante da popular cadeia KFC. Poucos dias depois, já em janeiro, foi filmado a vaguear por um supermercado Publix.

Nas horas após a invasão ficou também popular um vídeo, datado de 3 de janeiro, em que duas bolsonaristas radicadas nos Estados Unidos afirmam terem-se encontrado com o ex-presidente. Entre autógrafos e selfies, Bolsonaro terá dito às suas apoiantes que “o melhor ainda está para vir”.

Pedro Falardo