Morreu Silvio Berlusconi - TVI

Morreu Silvio Berlusconi

Antigo primeiro-ministro italiano morreu aos 86 anos, após várias complicações de saúde. Tinha voltado a ser internado na semana passada

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Morreu Silvio Berlusconi, avançou o jornal italiano Corriere della Sera. O antigo primeiro-ministro italiano tinha 86 anos e estava internado no hospital San Raffaele, em Milão. 

O líder do partido Força Itália e fundador do grupo de comunicação Mediaset estava no hospital desde a passada sexta-feira, para ser sujeito a exames na sequência da leucemia de que sofria.

Berlusconi esteve internado durante mais de um mês devido a uma pneumonia e tinha deixado recentemente o hospital, antes de voltar a ser internado na semana passada.

Já na manhã desta segunda-feira, o estado de saúde do antigo primeiro-ministro italiano agravou-se, tendo a imprensa italiana relatado que os cinco filhos de Berlusconi se deslocaram de urgência ao hospital para acompanhar o pai nas últimas horas de vida.

O partido de Berlusconi, Força Itália, faz parte da coligação de extrema-direita atualmente no governo, liderada pela primeira-ministra Giorgia Meloni. E ainda que o próprio Berlusconi não tivesse qualquer cargo governativo - fora eleito para o Senado em setembro passado - a sua morte deverá desestabilizar a política italiana nos próximos meses, assinala a agência Reuters.

Guido Crosetto, ministro da Defesa italiano, já reagiu à morte de Berlusconi: "Uma grande, enorme dor. Deixa um vazio enorme porque foi grande. Terminou uma época, fecha-se uma era. Quis-lhe muito bem. Adeus, Silvio", escreveu Crosetto nas redes sociais.

 

Magnata dos media italianos, Berlusconi chegou ao poder em 1994 e liderou quatro governos até 2011. Foi uma das figuras mais controversas de Itália, protagonista de vários escândalos financeiros e sexuais. 

Nasceu numa família modesta do norte de Itália em 1936 e fez fortuna no imobiliário em Milão, na década de 60 do século passado, sempre descartando acusações de que recebera dinheiro da máfia para alavancar os investimentos iniciais. 

Criou sozinho um império que foi da televisão ao futebol, usando a sua riqueza e influência junto da comunicação social para se lançar na política. Chegou a admitir que a única razão pela qual tinha decidido avançar politicamente fora para travar a esquerda. 

"A política nunca foi a minha paixão. Fez-me perder muito tempo e energia. Se entrei no ringue, foi apenas para impedir os comunistas de tomarem o poder", disse à revista Chi em 2016, numa entrevista para marcar o seu 80.º aniversário. 

A Reuters recorda que Berlusconi sobreviveu a uma série de escândalos e gafes diplomáticas, incluindo alegações de que teria mantido relações sexuais com uma rapariga menor de idade e que era anfitrião de orgias. Em 2011, foi obrigado a demitir-se do cargo de primeiro-ministro, incapaz de gerir a crise financeira que assolou a Europa. Em 2013, foi condenado por fraude fiscal, sendo-lhe temporariamente removido o título honorífico de Estado que tanto o orgulhava, "Il Cavaliere" - o cavaleiro.

Devido à pressão financeira para reestruturar o seu grupo de media, foi obrigado a vender o seu amado clube de futebol, o AC Milan, e em 2022 ainda fez campanha para as legislativas italianas à frente do Força Itália, que acabou por ter o pior resultado de sempre: 8% dos votos.

A nível internacional, Berlusconi tinha uma amizade com Vladimir Putin, ligação que defendeu mesmo após a invasão russa da Ucrânia, e as relações com os parceiros europeus sempre foram instáveis.

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