A história já vai longa.
Primeiro, Ivo Rosa soube pelo Exclusivo da TVI/CNN Portugal que tinha sido investigado durante três anos. Depois, foi-lhe negado, pelo procurador junto do Supremo Tribunal de Justiça, o acesso aos inquéritos.
O juiz reclamou e o procuradora-geral da República deu-lhe razão — razão e acesso aos autos nos quais Ivo Rosa foi investigado por suspeitas de corrupção.
Só que, ao chegar ao Supremo, Ivo Rosa não pôde consultar dois apensos e 190 das 438 páginas do inquérito.
A TVI/CNN Portugal questionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o motivo dessa decisão. A resposta é clara: Ivo Rosa não foi o único alvo deste processo.
E, por isso, devia haver “a salvaguarda de todos os elementos do processo relativos a dados de terceiras pessoas, singulares e coletivas, que se encontram abrangidas pelo regime de confidencialidade ou segredo”.
Mas quem serão os outros envolvidos?
A TVI/CNN Portugal apurou que, além de Ivo Rosa, a denúncia anónima que deu origem ao inquérito fala ainda do conhecido advogado Rui Patrício.
Quem a escreveu garantia que o advogado teria almoçado com Ivo Rosa no Alandroal. Essa refeição foi considerada suspeita pelo denunciante, uma vez que ambos eram intervenientes na Operação Marquês: Ivo Rosa como juiz de instrução e Rui Patrício como advogado de Hélder Bataglia, acusado de corrupção.
Mas ambos desmentem ter almoçado juntos. Rui Patrício diz mais:
“Nunca na vida troquei palavras com o senhor juiz fora do tribunal, muito menos almoçar. Também não teria problema nenhum, só que por acaso não aconteceu — só para se ver onde chega o ridículo da coisa.”
A TVI/CNN Portugal sabe também que a PJ chegou a fazer diligências no Alandroal para averiguar eventuais negócios imobiliários de Rui Patrício no Alentejo.
O advogado nunca imaginou este cenário: “Só não desato à gargalhada porque uma denúncia anónima e uma investigação não são um sketch dos Monty Python, mesmo que às vezes uma e outra possam ter parecenças. (...) Não tenciono pedir para consultar a suposta investigação. Estou, desculpem a expressão, a borrifar-me. O absurdo não merece gasto de tempo.”
Já Ivo Rosa não vai desistir de consultar pelo menos os dois apensos do processo. É lá que se encontram os registos da faturação detalhada do seu telemóvel — que a PJ rastreou durante três anos —, num caso que acabou arquivado por falta de sustentação da denúncia que lhe deu origem.