"Ridículo. Estou a borrifar-me. O absurdo não merece gasto de tempo": Rui Patrício reage a denúncia anónima que o coloca num almoço com Ivo Rosa - TVI

"Ridículo. Estou a borrifar-me. O absurdo não merece gasto de tempo": Rui Patrício reage a denúncia anónima que o coloca num almoço com Ivo Rosa

  • Sandra Felgueiras
  • 12 nov, 23:51

O juiz Ivo Rosa continua sem acesso integral ao processo em que foi investigado durante três anos por suspeitas de corrupção. Apesar de o Supremo Tribunal de Justiça ter-lhe concedido consulta aos autos, parte do inquérito continua sob sigilo, por envolver outros visados, entre eles o advogado Rui Patrício

A história já vai longa.

Primeiro, Ivo Rosa soube pelo Exclusivo da TVI/CNN Portugal que tinha sido investigado durante três anos. Depois, foi-lhe negado, pelo procurador junto do Supremo Tribunal de Justiça, o acesso aos inquéritos.

O juiz reclamou e o procuradora-geral da República deu-lhe razão — razão e acesso aos autos nos quais Ivo Rosa foi investigado por suspeitas de corrupção.

Só que, ao chegar ao Supremo, Ivo Rosa não pôde consultar dois apensos e 190 das 438 páginas do inquérito.

A TVI/CNN Portugal questionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o motivo dessa decisão. A resposta é clara: Ivo Rosa não foi o único alvo deste processo.

E, por isso, devia haver “a salvaguarda de todos os elementos do processo relativos a dados de terceiras pessoas, singulares e coletivas, que se encontram abrangidas pelo regime de confidencialidade ou segredo”.

Mas quem serão os outros envolvidos?

A TVI/CNN Portugal apurou que, além de Ivo Rosa, a denúncia anónima que deu origem ao inquérito fala ainda do conhecido advogado Rui Patrício.

Quem a escreveu garantia que o advogado teria almoçado com Ivo Rosa no Alandroal. Essa refeição foi considerada suspeita pelo denunciante, uma vez que ambos eram intervenientes na Operação Marquês: Ivo Rosa como juiz de instrução e Rui Patrício como advogado de Hélder Bataglia, acusado de corrupção.

Mas ambos desmentem ter almoçado juntos. Rui Patrício diz mais:

“Nunca na vida troquei palavras com o senhor juiz fora do tribunal, muito menos almoçar. Também não teria problema nenhum, só que por acaso não aconteceu — só para se ver onde chega o ridículo da coisa.”

A TVI/CNN Portugal sabe também que a PJ chegou a fazer diligências no Alandroal para averiguar eventuais negócios imobiliários de Rui Patrício no Alentejo.

O advogado nunca imaginou este cenário: “Só não desato à gargalhada porque uma denúncia anónima e uma investigação não são um sketch dos Monty Python, mesmo que às vezes uma e outra possam ter parecenças. (...) Não tenciono pedir para consultar a suposta investigação. Estou, desculpem a expressão, a borrifar-me. O absurdo não merece gasto de tempo.”

Já Ivo Rosa não vai desistir de consultar pelo menos os dois apensos do processo. É lá que se encontram os registos da faturação detalhada do seu telemóvel — que a PJ rastreou durante três anos —, num caso que acabou arquivado por falta de sustentação da denúncia que lhe deu origem.

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