A primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern anunciou a sua demissão do cargo esta quinta-feira.

"Tendo refletido durante o verão, sei que já não tenho essa energia a mais no 'depósito' para fazer justiça ao trabalho. É assim tão simples”, disse Ardern, visivelmente emocionada em frente às câmaras. "Dei tudo de mim no cargo de primeira-ministra, mas também me tirou muito. Não se pode nem se deve desempenhar esta função sem se ter o ‘depósito cheio’ e mais um pouco em reserva para aqueles desafios não planeados e inesperados que inevitavelmente surgem”.

A líder do Partido Trabalhista da Nova Zelândia estava no cargo desde 26 de outubro de 2017. No discurso de demissão, Ardern referiu que deverá abandonar o cargo até ao dia 7 de fevereiro, e anunciou a realização de eleições no dia 14 de outubro.

"Não vou abandonar porque não acredito que podemos ganhar as eleições, mas porque acredito que os trabalhistas podem e vão ganhá-las. Precisamos de uma nova liderança para enfrentar os desafios tanto deste ano como dos próximos três”, afirmou, citada pelo New Zealand Herald.

No discurso, Jacinda Ardern lembrou as crises que teve de enfrentar ao longo dos cinco anos de governação. "Para além da nossa ambiciosa agenda que procurou abordar problemas a longo prazo, como a crise da habitação, a pobreza infantil e as alterações climáticas, tivemos também de responder a um grande problema de biossegurança, um ataque terrorista, uma erupção vulcânica e uma pandemia global e consequente crise económica".

“Ser primeira-ministra tem sido a maior honra da minha vida e quero agradecer aos neozelandeses o enorme privilégio de liderar o país nos últimos cinco anos e meio”, disse Ardern. "Quanto ao meu tempo no cargo, espero deixar os neozelandeses com a convicção de que podem ser amáveis, mas fortes, empáticos, mas decisivos, otimistas, mas concentrados, e que podem ser o vosso próprio tipo de líder - alguém que sabe quando é altura de partir", concluiu.

CNN Portugal / PF