Depois de Roald Dahl, é a vez dos livros de "James Bond" serem revistos para serem menos racistas e "ofensivos" - TVI

Depois de Roald Dahl, é a vez dos livros de "James Bond" serem revistos para serem menos racistas e "ofensivos"

  • CNN Portugal
  • MJC
  • 1 mar, 10:59
Daniel Craig em "007 - Sem tempo para morrer"

Para assinalar os 70 da edição do primeiro livro com o agente secreto 007, a empresa que detém os direitos literários do escritor Ian Fleming anunciou uma revisão das obras, de modo a retirar referências racistas e outras que possam ser "ofensivas" para os leitores contemporâneos

Os 14 livros de James Bond, escritos pelo autor britânico Ian Fleming entre 1953 a 1966, serão revistos para remover as referências racistas e "ofensivas" antes de serem republicados em abril, assinalando os 70 da primeira edição de "Casino Royal", o primeiro livro da saga.

A Ian Fleming Publications Ltd - a empresa que detém os direitos literários da série sobre 007, o icónico agente dos serviços secretos britânicos - encomendou a revisão, que terá como objetivo retirar a linguagem racialmente ofensiva e também eliminar alguns estereótipos que já estejam desatualizados. Apesar disto, de acordo com The Telegraph, as novas edições serão publicadas com um aviso de isenção de responsabilidade: “Este livro foi escrito numa época em que termos e atitudes que podem ser considerados ofensivos pelos leitores modernos eram comuns” (algo bastante parecido aos avisos que os serviços de streaming, como o Disney+, adicionaram antes de conteúdos com representações racistas, como "O Livro da Selva").

“Uma série de atualizações foram feitas nesta edição, mantendo o mais próximo possível do texto original e do período em que está definido”, acrescenta o aviso. 

Ian Fleming, o autor dos livros de James Bond (AP)

De acordo com o The Telegraph, a maioria das revisões refere-se à forma como os negros são descritos. Vários termos insultuosos para referir pessoas de raça negra serão eliminados e, em alguns casos, serão mesmo apagadas as características raciais de algumas personagens. 

Mas os críticos dizem que, apesar da atualização proposta para os leitores contemporâneos, muitas referências à violência de género e agressão sexual permanecerão nos textos. Também se mantêm algumas declarações homofóbicas e descrições sexualizadas e até misóginas das mulheres, acusam os críticos, citados pela revista Time. Os insultos raciais contra os negros serão removidos, mas as representações de outras minorias étnicas mantêm-se, como uma personagem de um coreano chamado Oddjob em "Goldfinger", o sétimo livro.

Esta revisão surge depois do anúncio da Puffin Books sobre os livros infantis de Roald Dahl (1916-1990), que também serão modificados para que “continuem a ser apreciados por todas as crianças hoje”. As alterações nestes livros - por exemplo, "Charlie e a Fábrica de Chocolate", "Matilda", "James e o Pêssego Gigante" e outros" - incluem a remoção de linguagem relacionada com a raça, género, peso e saúde mental que os leitores contemporâneos possam considerar ofensiva. Palavras como "gordo" e "feio" são removidas e, em alguns casos, as expressões serão substituídas por outras consideradas pela editora mais "educativas".

A notícia provocou uma grande reação daqueles que veem essas modificações como censura. Em resposta às críticas, a editora de Dahl, a Puffin, a chancela infantil da Penguin Random House no Reino Unido, anunciou que lançaria as obras do autor nas suas versões originais e com os novos textos.

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