As vendas da Jerónimo Martins disparam 21,5% para 25,4 mil milhões de euros no ano passado, “com o sólido desempenho de todas as insígnias” a impulsionar a impulsionar o crescimento retalhista alimentar. Só no quarto trimestre, as vendas do grupo, dono do Pingo Doce e da Biedronka, aumentaram 23%, para 7 mil milhões. “A subida da inflação alimentar foi também um fator do desempenho registado”, aponta o retalhista em comunicado das vendas preliminares de 2022 enviado à CMVM esta quinta-feira.

“Não ignorando algum papel da inflação, é com muita satisfação que registo a superação do marco de 25 mil milhões de euros em vendas no ano em que Jerónimo Martins celebrou 230 anos de atividade comercial”, afirma Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, numa mensagem no comunicado à CMVM.

“Agradeço publicamente a dedicação e o compromisso demonstrados pelas nossas pessoas, que, mais uma vez trabalhando em ambientes operacionais exigentes e imprevisíveis, são a força por detrás do sólido desempenho do grupo. Em reconhecimento deste esforço, e perante o aumento rápido do custo de vida, atribuímos, a título excecional, cerca de 45 milhões de euros em prémios às nossas equipas operacionais, dos quais cerca de 23 milhões no último trimestre de 2022”, lembra o gestor.

Pingo Doce abre 10 novas lojas

“Em Portugal, a subida generalizada dos preços, que levou a inflação alimentar a atingir 13% (19,5% no 4.º trimestre), pressionou o rendimento disponível das famílias e conduziu à queda de volumes no consumo alimentar e a uma forte tendência de trading down. Em sentido contrário, a forte recuperação do turismo beneficiou o canal HoReCa”, refere o retalhista.

O Pingo Doce viu no ano passado as vendas a atingir os 4,5 mil milhões de euros, um crescimento de 11,2% em relação a 2021, incluindo um like-for-like (excluindo combustível) de 9,4%. “No 4.º trimestre a insígnia lançou uma assertiva campanha de combate à inflação, intitulada “Essenciais a Preços de 2021”, tendo as vendas atingido os 1,2 mil milhões de euros, mais 13,7% do que no 4.º trimestre de 2021, com um like-for-like (excluindo combustível) de 12,4%”,

A cadeia abriu 10 novos supermercados (sete adições líquidas) e renovou 37 lojas.

O Recheio “beneficiou da expressiva recuperação do canal HoReCa”, tendo atingido os 1,2 mil milhões de euros de vendas (+27,7%), com um like-for-like de 27,3%. No quarto trimestre, as vendas subiram 25% para 308 milhões de euros, incluindo um like-for-like de 23,1%. Em setembro, a rede grossista inaugurou uma loja em Cascais.

Biedronka regista vendas de 17,6 mil milhões

Na Polónia, o principal mercado de receitas do grupo onde detém as cadeias Biedronka e Heba, o tema da inflação também se fez sentir, mas pese embora o “comportamento progressivamente mais cauteloso dos consumidores perante a pressão da subida generalizada de preços, o consumo alimentar cresceu acima da respetiva inflação, que foi de cerca de 15,4% no ano (cerca de 21,9% no 4.º trimestre)”, aponta o retalhista.

“Para esta resiliência contribuíram também o número de refugiados ucranianos que permaneceram na Polónia no contexto da guerra e o pacote de medidas implementado pelo governo polaco para mitigar os efeitos, no consumo, do aumento dos preços dos alimentos e da energia e da subida das taxas de juro”, destaca ainda.

No ano passado, a Biedronka registou vendas de 17,6 mil milhões, mais 20,9% do que em 2021. No 4.º trimestre as vendas atingiram os 4,9 mil milhões, mais 24,1% acima do que em igual período de 2021.

A cadeia abriu 157 novas lojas (145 adições líquidas), “acima do objetivo inicialmente definido para o ano”, tendo remodelado 367 lojas.

Na Hebe atingiu vendas de 358 milhões, mais 28,7% do que em 2021, dos quais 106 milhões (+25,9%) só no último trimestre do ano passado. O online representou cerca de 14% das vendas.

Cadeia expandiu rede de lojas, com 30 aberturas (24 adições líquidas) tendo fechado o ano passado com 315 lojas. “No final do ano, e na sequência de um período de teste, a Hebe inaugurou as suas operações online na Chéquia e na Eslováquia".

Colômbia supera as 1.000 lojas

Na Colômbia, a “elevada inflação alimentar – que atingiu 25% no ano (27,3% no 4.º trimestre) – pressionou o consumo e levou à queda de volumes e a um expressivo comportamento de trade down no mercado”, refere o grupo.

No ano, as vendas da Ara atingiram 1,8 mil milhões de euros, 60,5% acima de 2021, dos quais 477 milhões de euros (+38,5%) no último trimestre do ano.

Para este crescimento contribui a expansão da rede. No ano abriram 275 lojas, das quais 189 no último trimestre, tendo a cadeia fechado o ano com 1.093 localizações.

ECO - Parceiro CNN Portugal / Ana Marcela