Autoridades argelinas dizem que avisaram antes de disparar contra turistas que entraram por engano onde não podiam (morreram dois) - TVI

Autoridades argelinas dizem que avisaram antes de disparar contra turistas que entraram por engano onde não podiam (morreram dois)

  • CNN Portugal
  • JM
  • 4 set, 21:49
jetski turistas (getty images)

Grupo de quatro turistas que seguiam em jet ski perdeu-se em águas marroquinas e acabou por ficar sem combustível já em águas territoriais da vizinha Argélia. Foram baleados pelas autoridades argelinas, dois deles não resistiram aos ferimentos

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O Ministério da Defesa argelino, na sua primeira declaração pública sobre o assunto, afirmou este domingo que os turistas tinham sido repetidamente avisados antes de terem sido disparados tiros. O Ministério da Defesa argelino referiu a presença do tráfico de droga e do crime organizado na região como a razão por detrás dos tiros de aviso.

Mohamed Kissi, sobrevivente, contestou esta versão dos factos, afirmando que nunca recebeu qualquer aviso antes dos disparos. "Só ouvi os tiros que mataram o meu irmão Bilal", afirmou. "Perdemo-nos, mas continuámos a andar até nos apercebermos de que estávamos na Argélia", contou Mohamed Kissi, um dos sobreviventes, aos meios de comunicação social marroquinos. "Soubemos que estávamos na Argélia porque um barco preto argelino veio na nossa direção", explicou, acrescentando que os agentes do barco dispararam contra o grupo. "Graças a Deus não fui atingido, mas mataram o meu irmão e o meu amigo", relembra Kissi, referindo que o seu irmão tentou comunicar com a guarda costeira argelina antes de ser atingido.

Mohamed Kissi conseguiu nadar de volta para o território marroquino e foi mais tarde resgatado pela marinha marroquina, avança a agência AFP. O outro sobrevivente foi detido pelas autoridades argelinas,

O Conselho Nacional dos Direitos do Homem (CNDH) exigiu a libertação do turista detido e condenou as ações da guarda costeira argelina. Embora as autoridades marroquinas se tenham abstido de comentar o incidente, considerando-o um assunto jurídico, o Ministério Público marroquino abriu um inquérito. 

As famílias de Bilal Kissi e Smail Snabe, ambos de nacionalidade francesa, tencionam avançar com uma ação judicial em França. O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês confirmou que tem conhecimento da morte de um dos seus cidadãos e da detenção de outro cidadão francês na Argélia.

Marrocos e Argélia têm disputas fronteiriças que remontam à era da colonização francesa. Em 1994 deu-se o encerramento da fronteira que separa os país, em 2021 foi estabelecida uma rutura diplomática. A Argélia apoia a Frente Polisário, que luta pela independência do Sahara Ocidental de Marrocos. 

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