O PSD afirmou esta terça-feira que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, “não tem condições para continuar a exercer o cargo”. “A sua prestação como membro do Governo, está ferida de morte. O clima de suspeição está em cima de si. Vossa excelência tem uma relação difícil com a verdade, até mesmo aqui no parlamento”, acusou o deputado social-democrata.

João Montenegro recordou a derrapagem nos custos da obra do Hospital Militar de Belém para a criação de um centro de apoio à covid-19, que aconteceram enquanto o ministro chefiava a pasta da Defesa, sublinhando que Cravinho terá deixado a obra custar “quatro vezes mais” do que os 750 mil euros previstos, acabando por custar 3,2 milhões aos cofres do Estado.

A deputada social-democrata Paula Cardoso questionou o ministro – que tutelou a Defesa entre 2018 e 2022 - e Gomes Cravinho rejeitou ter dado autorização para o gasto de dinheiro em excesso e negou que no documento que recebeu que dava conta da derrapagem fosse pedida qualquer autorização de despesa adicional.

“Não é dizer ‘isto vai custar mais do que nós pensávamos, achamos que vai custar mais um montante e talvez mais outros montantes, depois logo se vê’. Isso não é um pedido de autorização”, vincou.

Cravinho salientou que o ofício em causa não foi “muito claro em relação às despesas que seriam necessárias”.

O governante afirmou que “quando se faz um pedido de autorização num regime de exceção ou não os requisitos passam por ter uma cabimentação, uma identificação de fonte de financiamento, um compromisso associado à cabimentação”.

Durante Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o deputado do PSD João Montenegro acusou o governante de colecionar “muitas trapalhadas” nos últimos dez meses.

Gomes Cravinho contra-atacou: “Aquilo que eu vejo é muita jactância, mas em termos concretos nada. Muitas insinuações, muitas afirmações, mas no concreto… ‘O senhor ministro omitiu informação’, mas quer concretizar? Gostava de ouvir”.

Recorde-se que recentemente João Gomes Cravinho viu-se envolvido no caso da derrapagem dos custos da obra do Hospital Militar de Belém para a criação de um centro de apoio à covid-19, enquanto chefiava a pasta da Defesa.

Cravinho afirma que teria pedido a demissão se entendesse não ter condições para continuar

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou ainda ter condições para se manter no cargo, afirmando que já teria apresentado a demissão se entendesse o contrário.

“Se não achasse [que tenho condições] já teria apresentado a minha demissão e já me teria ido embora”, afirmou João Gomes Cravinho, que tutelou a Defesa entre 2018 e 2022, antes de transitar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Cravinho respondia ao líder parlamentar da Iniciativa Liberal (IL), Rodrigo Saraiva, que momentos antes o tinha interrogado sobre o assunto e referido algumas polémicas que o envolvem, designadamente a da derrapagem nos custos das obras do Hospital Militar de Belém.

“Não há razão nenhuma para eu fazer isso na medida em que tudo aquilo que tem a ver com a minha vida privada ou com a minha atuação anterior, enquanto ministro da Defesa Nacional, eu posso explicar com total satisfação, para mim próprio, desde logo, e estou à disposição aqui na Assembleia da República para se aprofundar as matérias que quiserem”, declarou.

CNN Portugal / com Lusa