Vários países anunciaram que não irão participar na cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026, em protesto contra a decisão de permitir que atletas russos e bielorrussos compitam com os respetivos símbolos nacionais, algo que não acontecia desde os Jogos do Rio, em 2016.
Ao todo, seis atletas da Rússia e quatro da Bielorrússia receberam vagas atribuídas pelo Comité Paralímpico Internacional para a competição, que decorre entre sexta-feira e 15 de março, deixando de ter de competir sob bandeira neutra. A sanção, aplicada desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, foi entretanto revogada após votação no organismo.
O presidente do IPC, Andrew Parsons, explicou que o levantamento da restrição «foi aprovado por maioria, refletindo o princípio democrático do órgão», reconhecendo, contudo, que a decisão não reúne consenso.
«A liberdade de expressão e a democracia garantem que cada comité possa manifestar a sua opinião e escolher se participa ou não na cerimónia», acrescentou.
A reação mais dura partiu da Ucrânia, que manifestou de imediato a sua indignação e liderou o boicote, rapidamente acompanhado por países como a Chéquia, Finlândia, Polónia, Estónia e Letónia.
A 14.ª edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que arranca esta sexta-feira em Milão e Cortina d'Ampezzo, reunirá mais de 650 atletas de 50 países e ficará também marcada pela estreia de Portugal na competição.
O snowboarder Diogo Carmona, de 28 anos, será o representante luso, depois de ter perdido parte da perna esquerda num acidente ferroviário e de se ter destacado no desporto adaptado.