«Nunca tive um convite de Inglaterra? Não, eu nunca tive foi um convite de um clube do top-5 de Inglaterra» - TVI

«Nunca tive um convite de Inglaterra? Não, eu nunca tive foi um convite de um clube do top-5 de Inglaterra»

O Maisfutebol com Jorge Jesus na Arábia Saudita

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Jorge Jesus está atualmente com 70 anos, mas ainda não pensa na reforma. O treinador português tem até um sonho para cumprir: treinar a seleção do Brasil.

Diz que é um sonho complicado, até porque a seleção brasileira nunca teve um selecionador estrangeiro, mas se isso vier a acontecer acredita que ele está na linha da frente.

Nesta entrevista ao MAISFUTEBOL e A Bola em Riade, para onde viajaram a convite da Liga Saudita, Jesus diz ainda que só aceita treinar projetos que queiram ganhar títulos.

Quando saiu da Turquia disse que queria cumprir um grande sonho. O sonho de que falava nessa altura era este?

Eu já tinha estado na Arábia Saudita há coisa de quatro ou cinco anos. Saí porque era para ir para o Benfica e acabei por ir para o Flamengo. E quando eu saí, o Al Hilal estava em todas as frentes e estava em primeiro na Liga Saudita penso que com seis pontos de avanço. E eu fui-me embora. Por várias coisas de que não gostei, e quando eu não gosto, independentemente do dinheiro, eu vou-me embora. E nessa altura fui-me embora. Este o meu regresso foi exatamente para concluir este sonho: quero ser campeão da Arábia Saudita, quero ganhar todos os títulos que há na Arábia Saudita. E felizmente consegui.

Onde é que o Jorge Jesus se vê nos próximos tempos?

Não faço muitos projetos, por isso só assino por um ano em todos os clubes. O Al Hilal queria que assinasse por três anos, depois por dois anos e eu disse: ‘Não, não quero, só quero um ano’. Porque o futebol é momento. Agora estou bem, mas daqui a duas ou três semanas, se tu não ganhares, tudo muda. Em todo o mundo é assim. Não faço projetos para o futuro, faço projetos para o presente. E no presente esta equipa ainda tem muito para crescer, por isso quero tentar que o Al Hilal esteja cada vez mais forte. O modelo da Champions Asiática, tal como aconteceu na Europa, também mudou aqui e isso também é um desafio. Não projeto que o meu futuro passe pela Arábia Saudita durante muitos anos, porque não sei o que vai acontecer. O que tenho a certeza é que quando deixar de treinar, onde quero viver é no meu país. Isso não tenho dúvidas nenhumas.

Imagino que não esteja nos seus horizontes voltar a Portugal para treinar.

Não.

Mas o sonho de treinar uma seleção ainda está por concretizar...

Está.

O Márcio Sampaio dizia há pouco tempo que você é a pessoa ideal para treinar a seleção do Brasil.

O sonho de treinar uma seleção continua, mas é na mesma perspetiva que eu tenho para com os clubes: só quero trabalhar em projetos que sejam para ganhar títulos. Por exemplo, eu nunca fui para a Inglaterra treinar porquê? Porque não tive um convite? Não, eu nunca tive foi um convite de um clube do top-5. As outras que eu tive eu não quis. E agora cada vez menos.

Mas a seleção brasileira já é diferente.

É, a seleção brasileira é diferente. Claro que é que é uma ambição. Não nego. Mas será difícil, acho. No Brasil, dificilmente um treinador estrangeiro entra na seleção. Pode ser que mude, mas dificilmente. Eles não estão muito para aí, para um treinador estrangeiro, seja ele quem for.

Mas a paixão que têm por si não o torna um não brasileiro quase brasileiro?

Sim. Se for um estrangeiro, penso que serei o que está mais perto. Porque só adeptos do Flamengo são 50 milhões. Mas não quero fazer um cenário daquilo que possa acontecer na minha carreira, porque foi sempre assim que eu pautei a minha carreira. O futebol é dia a dia. Eu digo isto aos meus jogadores: ‘O ano passado ganhámos tudo, fizemos à volta de 70 jogos e só perdemos um jogo, mas isso não quer dizer que seja tudo igual. Temos de fazer melhor este ano. Mas eu tenho a sorte de trabalhar com um grande grupo e com jogadores que querem ganhar. Porque se não trabalhares com jogadores que querem ganhar, é mais complicado.

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