Jorge Jesus abriu as portas do centro de treinos do Al Hilal para uma conversa breve com o MAISFUTBOL e A Bola, que viajaram até Riade a convite da Liga Saudita.
Nesta conversa, o treinador disse que a Arábia Saudita é um país fantástico para viver e que abriu as portas do campeonato aos portugueses, como já tinha feito no Brasil.
Também garantiu que o desafio para ele continua a ser ganhar sempre e ganhar tudo, para além de mostrar todo o talento do Al Hilal no Mundial de Clubes.
Que país é este, que Al Hilal é este, que o têm apaixonado como vemos?
O país é um grande país, onde há regras, um país seguro. Na Europa já não há nada disto. É um país com uma grande capacidade de evolução, penso que a Arábia Saudita, nos próximos dez anos, vai tornar-se num mercado, não só no futebol, mas em qualquer atividade, a ter em atenção. Desportivamente, estou num clube onde já tinha estado há quatro anos, que evoluiu estruturalmente, tem um grande presidente, tem um CEO que já era do meu tempo e que nestes anos construiu a equipa talvez mais organizada da Arábia Saudita e da Ásia. E depois, aquilo que faz a diferença: os jogadores. Tenho grandes jogadores, que ajudam a valorizar o treinador. Neste caso, eu. O ano passado conquistámos tudo na Arábia Saudita, portanto só podemos fazer igual. A única competição que não ganhámos foi a Champions Asiática. E pronto, estou apaixonado por aquilo que faço e isso é que faz com que eu todos os dias adore vir para o treino, trabalhar com os meus jogadores. Nem todos têm esta sorte, eu desde os meus 14 anos que tenho essa felicidade. E, portanto, estou feliz.
Mas o desafio é cada vez maior, porque cada vez também há mais jogadores de qualidade a chegar à Arábia Saudita.
Sim. Ainda hoje estava a dizer isso aos meus jogadores. Hoje temos um grande desafio: o nosso grande adversário vamos ser nós. Temos de fazer igual àquilo que fizemos e este campeonato cada ano está mais forte. Agora cada equipa tem dez estrangeiros, quase todos das seleções dos seus países, e é um campeonato muito, muito forte. Às vezes vejo na televisão portuguesa a quererem comparar a Liga Saudita com o campeonato português. Como se isto tivesse alguma comparação, não é? Não há comparação possível.
Porquê?
Porque quem faz a qualidade do futebol são os jogadores e os jogadores que estão aqui são dos melhores. Não são todos, mas a grande maioria deles são jogadores de grande nível e por isso o futebol tem de ser de grande nível. Não é? E depois tem estádios com enorme qualidade, nos relvados, nas bancadas, na capacidade de dar aos adeptos bons espetáculos. Não há comparação possível. Quer comparar o campeonato português com o campeonato saudita... Só fala quem não sabe.
O CEO da Saudi Pro League diz que os portugueses devem orgulhar-se de ter um Cristiano Ronaldo ou um Jorge Jesus. Sente muito este tipo de reconhecimento?
Eu não tenho uma vida social fora do futebol muito grande, ou seja, a minha vida é praticamente entre o Al Hilal e o compound onde vivo. O que notei é que este ano chegaram muitos treinadores portugueses à Arábia Saudita. Este é um mercado financeiramente apetecível e só na segunda divisão há sete treinadores portugueses. Sete. Mas isto para mim não é uma novidade. Hoje no Brasil há vários treinadores portugueses e, entre aspas, fui eu que abri a porta a esses treinadores portugueses. Portanto, o reconhecimento que sinto é ao ver os treinadores portugueses que hoje estão no Brasil, que estão na Arábia Saudita, enfim.
Curiosamente ao virmos para aqui, passámos por vários placards com a imagem de Jorge Jesus a fazer publicidade. Já tem esse peso todo aqui?
Socialmente não sei. Desportivamente, sim, também porque estou no clube que tem mais adeptos. O Al Hilal é o clube com mais fãs na Arábia Saudita. Portanto, sinto isso quando ando na rua. Aliás, na rua não, porque tu aqui não consegues andar na rua com o calor [risos]. Aqui andas no carro, no shopping, em casa, em qualquer lugar onde haja ar condicionado. Aliás, Riade é uma cidade muito bonita, principalmente de noite, como vão poder ver. Falam da Arábia Saudita como se fosse um bicho de sete cabeças, como se só houvesse camelos e areia do deserto. Nada disso, isto hoje é um grande país e uma grande cidade, com tudo do melhor que possa haver.
Parece de facto apaixonado.
Mas nunca vou esquecer-me das minhas raízes. O meu país é o meu país, é onde quero voltar a viver, onde eu tenho a minha família e os meus amigos. Para mim, os outros podem ter coisas muito bonitas, mas o meu país será sempre o mais bonito.
Está época está novamente na liderança, novamente a vencer, só dá para ganhar?
Não, não dá só para ganhar. O que a gente quer é ganhar. Por isso é que eu disse que o maior rival deste ano do Al Hilal este ano é o Al Hilal, porque ganhámos tudo e agora temos de fazer igual. Não digo que não o possa fazer, mas é difícil. O grande objetivo neste momento de todos os adeptos do Al Hilal é a Champions da Ásia. Para mim, o grande desafio vai ser o próximo Mundial de Clubes, que vai jogar-se nos Estados Unidos, como vocês sabem. Esse é que para mim vai ser o grande desafio.
A polémica de Ronald Koeman com Bergwijn mostra desconhecimento sobre o que está a acontecer na Arábia Saudita?
Sim, totalmente. Ainda para mais ele falou do campeonato holandês, que é dos campeonatos mais fracos da Europa. Não tem moral nenhuma para dizer o que disse, porque não conhece o campeonato saudita e os jogadores que têm as equipas sauditas. Ao pé dos do campeonato dele... Não há forma de comparar.
Mas também ficou provado com o despedimento do Luís Castro, que futebol é igual em todo mundo: quando o resultado não aparece, o treinador vai embora.
Claro, isso é igual em todo o mundo. Os adeptos só gostam de ti se tu ganhares. Isso é igual em qualquer parte do mundo.