Greves e protestos. Que trabalhadores vão parar durante a Jornada Mundial da Juventude? - TVI

Greves e protestos. Que trabalhadores vão parar durante a Jornada Mundial da Juventude?

Protestos Força de Segurança (LUSA)

Vários sindicatos aproveitaram a Jornada Mundial da Juventude para chamar a atenção para os seus problemas. Alguns conseguiram bons resultados, outros avançam para a greve

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A CP - Comboios de Portugal e o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) assinaram na terça-feira um acordo que estabelece que o sindicato aceita as condições de retribuição negociadas com as outras estruturas, ficando assim desconvocada a greve destes trabalhadores, que tanto iria prejudicar as deslocações na semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Também os técnicos de emergência pré-hospitalar suspendem a partir de sexta-feira a greve ao trabalho extraordinário em curso desde abril, depois de o ministro da Saúde se ter comprometido com a revisão da carreira, foi anunciado na terça-feira.

O Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores (SNMOT) desconvocou a greve que estava marcada para a semana da JMJ, depois de a Câmara Municipal de Lisboa ter ido ao encontro das reivindicações dos profissionais.

E o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) decidiu suspender a greve às horas extraordinárias nos concelhos de Lisboa, Loures e Odivelas nos dias da JMJ, para evitar prejuízos durante a iniciativa.

Entretanto, há outros profissionais que continuam a negociar e que ameaçam parar (ou, pelo menos, fazer-se ouvir) durante o evento:

Greve de médicos

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) marcou uma greve para os primeiros dias da jornada, entre 1 e 2 de agosto, uma vez que, afirma, o Ministério da Saúde não entregou por escrito uma proposta que correspondesse às suas exigências.

Joana Bordalo e Sá, presidente da Comissão Executiva da Fnam, confirmou à CNN Portugal que se trata de uma greve nacional e que no dia 1 de agosto, às 15:00, os médicos irão concentrar-se em frente ao Ministério da Saúde.

Greve de enfermeiros

Também os enfermeiros vão parar durante a JMJ. O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) marcou uma greve para o período entre 1 e 4 de agosto. A paralisação - confirmada pelo Sindepor à CNN Portugal - abrange a totalidade dos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, em todos os serviços públicos, e decorre entre as 00:00 de 1 de agosto e as 24:00 de 4 de agosto.

Entre outras exigências, este sindicado apela à integração imediata nos mapas de pessoal das instituições de todos os enfermeiros com contractos de trabalho válidos com o SNS, a justa aplicação legal da “contagem de pontos” a todos os s enfermeiros para efeitos de progressão na carreira e a abertura imediata das negociações com vista a uma Carreira de Enfermagem.

Trabalhadores da Portway em greve

Os sindicatos Simamevip, Sindav, Sitava e STHA convocaram uma greve total na Portway a 30 e 31 de julho e 5 e 6 de agosto. À CNN Portugal, fontes sindicais confirmaram que, até ao momento, não há qualquer indicação de que a greve possa ser desmarcada, no entanto, estarão assegurados os serviços mínimos.

A Portway Handling de Portugal é uma empresa de assistência em escala presente nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Beja.

As estruturas sindicais argumentam que, após oito meses de aplicação do acordo de empresa de (AE2020), que prevê que "o trabalho prestado em dia feriado, que seja dia normal de trabalho, dará direito a um acréscimo de 50 % da retribuição correspondente", a empresa decidiu, "unilateralmente, alterar a forma de cálculo do pagamento dos feriados em escala, ao arrepio do espírito que havia sido acordado (alteração do coeficiente 1,50 para 0,50)".

Greve de funcionários das escolas

Os trabalhadores não docentes da Área Metropolitana de Lisboa vão parar durante a JMJ, quando se prevê que muitas escolas acolham jovens peregrinos. O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas tem a decorrer até 8 de agosto uma greve ao serviço suplementar (incluindo noites e fins-de-semana) - que irá afetar o último fim-de-semana da JMJ - e convocou ainda uma greve total (de 24 horas) para o período entre 31 de julho e 4 de agosto.

O sindicato estima que milhares de funcionários estejam a ser chamados para trabalho suplementar nas cerca de 900 escolas que deverão abrir portas para receber peregrinos. Fonte sindical confirmou à CNN Portugal que alguns funcionários estão a ser chamados para trabalhar nas madrugadas e fim-de-semana, alguns dos quais com turnos com duração superior ao permitido por lei. Além dos horários, o sindicato questiona o tipo de funções que irão ser cumpridas pelos funcionários não docentes durante a JMJ.

E alerta para os problemas de segurança e higiene que podem surgir. "Como se pode garantir que entre as centenas de peregrinos esperados numa escola não haja intrusos? E quem vai garantir a segurança das pessoas e dos bens?", questiona Luís Esteves, porta-voz do sindicato, ouvido pela CNN Portugal, sublinhado ainda que as escolas não estão preparadas para receber tantas pessoas (alguns estabelecimentos irão receber 500, 600 ou mesmo 800 jovens) e dificilmente será possível "garantir a salubridade das instalações sanitárias, com picos de utilização de manhã e à noite".

Protestos das forças de segurança

Uma concentração de elementos das forças de segurança junto à Presidência da República enquanto Marcelo Rebelo de Sousa estiver a receber o Papa Francisco, no dia 2 de agosto, é um dos protestos que deverão marcar a JMJ.

O protesto é organizado pelos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que agrega GNR, PSP, Polícia Marítima, SEF, ASAE e Guarda Prisional, que tem a decorrer, já durante esta semana, outras ações de protesto.

"A ideia é que todos fiquem a saber como os polícias são tratados", disse César Nogueira, presidente da Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que adiantou que em causa estão "os vencimentos, os subsistemas de saúde, a falta de efetivos e as condições de trabalho".

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