O conselheiro nacional da Iniciativa Liberal (IL), José Cardoso, deixou este sábado duras críticas à estrutura interna do partido e apelidou os candidatos adversários de "arroz, arroz e mais arroz".

"Em 48 horas, perdemos um presidente e ganhámos duas candidaturas. Criou-se a ideia de que se tinha de votar num mal menor, que tinha de ser assim. Não, não tem de ser assim", declarou o candidato à liderança dos liberais, que apresentou a sua candidatura já depois dos deputados e membros da atual comissão executiva Rui Rocha e Carla Castro.

Para o candidato liberal, deviam ter sido apresentadas "11 ou 12 candidaturas", tal como acontece no início dos processos dos partidos liberais do norte da Europa.

Referindo-se aos candidatos opositores, José Cardoso qualifica-os como "arroz e mais arroz" por, na sua perspetiva, não apresentarem propostas nem participarem nos trabalhos do Conselho Nacional e dos núcleos do partido.

"O número de intervenções de qualquer um dos dois candidatos foram duas ou três em três anos, o número de propostas foi zero, o número de pontos agendados foi zero, o número do relatório do centro de estudos foi zero", enumerou.

“Não me peçam para votar em políticos assim porque nunca o farei", declarou.

José Cardoso prosseguiu para uma comparação da estrutura liberal e dos seus adversários à expressão que tem vindo a utilizar ao longo da campanha eleitoral para designar as respetivas propostas:  "Tudo isto me faz lembrar o arroz que me venderam os outros [partidos e candidatos] e que me querem vender agora, e eu não quero."

"Faz-me lembrar tudo o que rejeitei: rejeitei ideias de que tem de ser desta forma, que me faz parecer um arroz queimado, aquele que alastra ao resto do arroz, aquele arroz malandrinho que copia as ideias dos outros, e como resolveram acabar a campanha com sangue entre eles, fez-me lembrar o arroz de cabidela.

"No fundo isto é tudo arroz, arroz e mais arroz", acrescentou.

Perante este cenário, o conselheiro nacional dos liberais decidiu "apresentar uma alternativa liberal que não tivesse vontade de copiar ninguém mas quisesse vir apresentar ideias". 

“Vim determinado a colaborar e trazer algo de novo à política portuguesa para fugir ao arroz”, justificou.

José Cardoso defendeu que “acabou o tempo de ‘start up’ política” da IL e que o partido precisa de apresentar “um projeto político sólido, que englobe todos”, reiterando a defesa de um presidente “a tempo inteiro”, que não esteja no parlamento.

“O indivíduo deve ser o centro da ação política, não podemos ocupar 70 ou 80% do tempo a criticar o PS. No fim do dia, as pessoas não votam em liberalismo ou em socialismo mas em quem resolve os problemas”, considerou.

O candidato defendeu ainda que 100% das quotas do partido seja entregue aos núcleos territoriais, que seja criado um núcleo europeu e que os candidatos autárquicos sejam propostos pelos núcleos em vez da comissão executiva.

“É preciso construir um novo programa político. O voto é secreto e o futuro é liberal”, apelou.

Beatriz Céu / com LUSA