Não "demoniza" o centro, afasta geringonças à esquerda, prefere "soluções a cada momento". José Luís Carneiro é o candidato da "estabilidade" e das farpas: a entrevista em quatro temas-chave - TVI

Não "demoniza" o centro, afasta geringonças à esquerda, prefere "soluções a cada momento". José Luís Carneiro é o candidato da "estabilidade" e das farpas: a entrevista em quatro temas-chave

José Luís Carneiro mostrou-se “convencido” de que o PS terá uma “ampla maioria” nas urnas. Com ela, haveria margem para governar sem dependências formais de outros partidos. Para viabilizar cada Orçamento do Estado, o socialista confia na sua “capacidade de diálogo e construção de consensos”. É no centro, área onde diz que o rival Pedro Nuno Santos faz um “grande esforço para se aproximar, que aposta todas as fichas. É o centro que permite decidir maiorias. Já em matérias de justiça, defende uma reforma profunda do sistema e um esclarecimento da Procuradoria-Geral da República sobre a investigação que o catapultou para esta disputa interna, a Operação Influencer.

Relacionados

1.Sem geringonças, ele disputa ao centro

Embora não descarte o cenário de uma nova geringonça à esquerda, José Luís Carneiro parece afastar-se desta ideia. E foi nos detalhes, na entrevista à TVI e CNN Portugal, que o vincou. A prioridade, traçou, está em obter uma “ampla maioria” nas urnas, que dê “autonomia para decidir”.

Sobre alianças com Bloco de Esquerda e PCP, diz que “todos conhecem” a sua “capacidade de diálogo e construção de consensos”, para “encontrar as soluções em cada momento”. Traduzindo: se tiver um governo minoritário, Carneiro prefere negociar a cada Orçamento do Estado à esquerda para procurar a sua luz verde.

A prioridade agora é outra: “é a disputa do centro político que permite ganhar as eleições”. Ou seja, José Luís Carneiro quer roubar votos à direita. E se o rival Pedro Nuno Santos, disse, fez um “grande esforço” para admitir o diálogo nesta direção, com ele não é assim. “Há um pressuposto que nos separa: eu não demonizo o centro político e social”.

2.Pedro Nuno Santos? Não são ataques... são farpas

“Não me candidato em oposição ao meu camarada Pedro Nuno”. José Luís Carneiro rejeitou que tenha feito ataques diretos a Pedro Nuno Santos nos últimos dias. Em especial, quando disse que sabia “desde pequeno” que há que “pagar aquilo que devemos”. Palavras interpretadas como uma resposta a declarações de 2011 do rival, que dizia estar a “marimbar-se” para os credores.

“Trata-se da afirmação de princípios que são básicos à organização da sociedade”, reagiu agora, descartando o ataque. Mas, ao longo da entrevista, aproveitou várias oportunidades para a farpa. A começar pela diferença sobre o centro político.

Questionado sobre o carisma do rival, garantiu que também o tem: “o carisma vence nos resultados eleitorais” e afirma-se “na forma como estamos no exercício das nossas funções”. Admitiu ainda que “todos gostam de ter o apoio dos presidentes das federações e das concelhias”, mas que, na hora de votar, cada militante “vale tanto” como os responsáveis das estruturas.

“Não me candidato em oposição ao meu camarada Pedro Nuno. Candidato-me por considerar ser portador de uma experiência política que pode ser útil ao meu partido e ao meu país”, posicionou. Em meados de dezembro, ganhe quem ganhar, “temos o dever de cooperar e trabalhar em conjunto”.

3.PGR deve esclarecer, vida de Costa não pode ficar em suspenso (e a ideia de uma reforma da Justiça)

A Operação Influencer catapultou José Luís Carneiro para esta disputa interna. Agora, disse o socialista, há que procurar, “dado o impacto nas instituições, que o processo seja tao célere como possível”. “As pessoas não podem ter a sua vida suspensa até que a justiça se faça”, disse, concretizando depois que não era uma referência direta a António Costa, mas que por ser o primeiro-ministro “ganha uma especial sensibilidade, pelo alarme social e pelo prestígio das próprias instituições”.

José Luís Carneiro sugeriu mesmo que a Procuradora-Geral da República deveria dar explicações ao país sobre esta operação, “que tem uma sensibilidade muito especial”. “Tudo quanto possa ser feito para esclarecer a sociedade daquilo que possam ser os contornos desta matéria, preservando o segredo de Justiça, diria que é adequado”, juntou.

O também ministro da Administração Interna admitiu também uma reforma do funcionamento da justiça, mais rápida e a evitar “megaprocessos que empenham imensos recursos com resultados finais que ficam longe daquilo que eram as expectativas”. “Há contributos que podem ser desenvolvidos para melhorar e aperfeiçoar o nosso sistema de Justiça”. Só não conta é com o Chega para essa tarefa, porque o partido de André Ventura, a quem traçou uma cerca sanitária, "tem procurado minar a confiança dos cidadãos nas instituições”.

4. Ele é o candidato da “segurança, estabilidade e previsibilidade”

“O candidato que tem condições para garantir segurança, estabilidade e previsibilidade”, para “colocar os valores do PS e os seus princípios ao serviço do país, “portador de uma experiência política que pode ser útil”. Foi assim que José Luís Carneiro se procurou afirmar.

Na entrevista, José Luís Carneiro procurou recuperar vários episódios que evidenciavam a sua “proximidade” aos portugueses em momentos de maiores dificuldades.

A António Costa elogiou as capacidades de liderança, sendo um “homem sereno, capaz”, de quem “nunca” imaginou poder a vir a ser substituto. Depois de tantas polémicas e demissões no executivo, assegurou que “todos tirámos ilações”, tendo-se desenvolvido uma “cultura de prestação de contas e transparência”.

Continue a ler esta notícia

Relacionados